A deputada estadual, presidente do MDB e candidata ao Senado, Janaina Riva, evitou falar diretamente sobre as críticas da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), ao ser questionada sobre sua atuação como referência na defesa dos direitos das mulheres. Durante a convenção partidária que selou a chapa majoritária com o PL, a parlamentar buscou desvincular sua trajetória de ataques pessoais e focou na apresentação de resultados institucionais de seus mandatos.
Questionada sobre as alegações de que teria sido omissa em casos de violência política do contra a bolsonarista, Janaina afirmou que prefere manter o debate em um nível coletivo, evitando o que chamou de "pessoalização" de discussões políticas específicas.
“E eu não pessoalizo a pauta. Pauta da mulher é uma pauta com muita seriedade. Ela não pode ser política, ela precisa ser uma pauta para todas as mulheres. E eu tenho evitado pessoalizar a discussão, especialmente nesse caso de Várzea Grande. Mas todos sabem do meu trabalho e eu terei agora campanha para mostrar à população tudo o que fizemos e o que queremos fazer para as mulheres de Mato Grosso”, disse a parlamentar durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (4).
Para reforçar seu posicionamento como principal liderança feminina no Legislativo estadual, a deputada enumerou ações concretas realizadas na Assembleia Legislativa, destacando a criação de estruturas de apoio e o volume de atendimentos realizados sob sua gestão na Procuradoria da Mulher, reafirmando sua identidade política.
“Todo mundo sabe que não existe maior defensora de mulher do que eu aqui nesse estado. Eu criei mais de 50 procuradorias nos municípios, criei a procuradoria da mulher. A gente atende mais de 500 mulheres por ano na assembleia, só na procuradoria”, ressaltou.
O impasse ocorreu após Flávia Moretti declarar que não fará campanha e nem subirá no mesmo palanque de Janaina Riva. A prefeita de Várzea Grande justificou sua resistência citando o "silêncio" da deputada diante de declarações misóginas proferidas pelo presidente da Câmara de VG, Wanderley Cerqueira, que é correligionário de Janaina no MDB.
O episódio em questão ocorreu em março, quando o vereador utilizou termos de conotação sexual para se referir à prefeita durante uma sessão, ato que o Ministério Público classificou como violência política de gênero.
A divergência entre Janaina e Flávia expõe as dificuldades de coesão na aliança entre PL e MDB para as eleições de 2026. Enquanto a cúpula nacional do PL determinou apoio exclusivo à chapa encabeçada por Wellington Fagundes (PL), lideranças como Moretti e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), mantêm o distanciamento da candidatura da emedebista ao Senado, alegando incoerências ideológicas e falta de posicionamento em temas sensíveis ao grupo bolsonarista.
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