ASSISTA AO #EP209 DO HNT TV COM ELIANE XUNAKALO
A deputada estadual Eliane Xunakalo (PT) afirmou ao HNT TV Entrevista que durante os 30 dias que ficará na Assembleia Legislativa (ALMT), a construção de uma pauta positiva para garantir a proteção dos territórios indígenas será sua prioridade. Xunakalo faz história como a primeira indígena a assumir uma cadeira na AL. O fato é inédito não apenas nos 190 anos da Casa de Leis mato-grossense, mas também quanto as Assembleias a nível Brasil, nunca no país um indígena assumiu o mandato de deputado estadual. Eliane quer converter a força do simbolismo político em ação, tocando na pauta mais sensível aos povos originários de MT: o avanço das ferrovias sobre áreas demarcadas.
Falta diálogo
Duas ferrovias estão em andamento no estado: a Ferrovia Estadual Vicente Vuolo - administrada pela Rumo que conecta Rondonópolis a Lucas do Rio Verde e Cuiabá - e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) que passará por Água Boa, Lucas até Goiás. Parte dos trilhos da Rumo já estão em operação. A Fico segue travada por cerca de 20% do seu trajeto passar por terras do povo Xavante.
Eliane Xunakalo disse que a única forma de diluir essa polêmica é o diálogo, ouvindo os indígenas que moram na região e têm uma relação ancestral com as terras.
Estamos lutando pra manter nossa excessência
"Em resumo, falta diálogo. Eu acredito que a partir do momento que o estado consegue fazer uma consulta livre, prévia, informada com povo Xavante, ouvindo as condições e exigências, talvez quem sabe mudar um traço aqui. E não é meio dia de reunião, não. É uma audiência pública. É você se reunir com o povo, você explicar o projeto, mostrar o desenho, mostrar o traçado, dizer como isso vai impactar positivo e negativamente", opinou a deputada.
Daniel Souza/HNT TV
A deputada estadual Eliane Xunakalo (PT), primeira indígena a assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa (ALMT).
DEPUTADA BUSCARÁ APOIO
Xunakalo adiantou que vai protocolar nos próximos dias um requerimento pedindo que a AL promova essa audiência pública sobre a Fico. O seu desafio é conseguir o apoio dos pares. A deputada entende que está em desvantagem nesse jogo por compor a oposição que representa a minoria no plenário e pelo tema da audiência ir contra a principal defesa dos parlamentares: o agro. Os produtores rurais representam o setor mais interessado no avanço das ferrovias em MT devido os trilhos baratearem o escoamento dos grãos.
A gente não vê a Assembleia falar desse povo
"Estamos lutando pelo bem viver e pra manter nossa excessência", disse a deputada.
Para Xunakalo, falta um olhar mais refinado por parte da AL aos povos originários. Segundo ela, os deputados perpetuam a rivalidade do agro com os indígenas, reforçando o esteriótipo de que as aldeias não aprovam o setor. A deputada acredita que há como os dois segmentos caminharem em harmonia, desde que haja o respeito aos territórios.
"Nós temos de 28 categorias de povos tradicionais (no país), Mato Grosso tem 14 povos. Nós temos ciganos, pantaneiros, ribeirinhos, e a gente não vê a Assembleia falar desse povo que está lá no meio da mata, lá no meio do Pantanal querendo oportunidades, querendo investimento, querendo um olhar. Mas nesse ano, com certeza, eles serão procurados", alfinetou Eliane.
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