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Política Terça-feira, 08 de Setembro de 2026, 17:17 - A | A

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'LIMPAVA' O CAIXA

Buzetti critica Fávaro por centralizar emendas: “nunca deixou R$ 1,00"

A suplente no Senado afirmou que o senador monopoliza recursos e disse ser contra modelo atual que incentiva 'chantagem' entre Legislativo e Executivo

CAMILA RIBEIRO
Da Redação

Reprodução/Assessoria

A suplente no Senado, Margareth Buzetti (PP), e o senador Carlos Fávaro (PSD).

A suplente no Senado, Margareth Buzetti (PP), e o senador Carlos Fávaro (PSD).

A suplente no Senado, Margareth Buzetti (PP), afirmou que não teve uma boa relação com o senador Carlos Fávaro (PSD) e o criticou por, segundo ela, centralizar a destinação de emendas. De acordo com ela, quando Fávaro deixava o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para reassumir o mandato no Senado, os recursos eram encaminhados sem diálogo com os suplentes.

"Nunca me deixou nem R$ 1", detonou Buzetti em entrevista à Rádio Capital FM nesta terça-feira (8).

De acordo com Buzetti, as emendas que conseguiu durante o período em que exerceu o mandato foram provenientes de comissões e estavam relacionadas ao trabalho que desenvolvia no Congresso no enfrentamento à violência contra as mulheres. Ela relatou que Fávaro reassumia o cargo de senador e, com isso, ela deixava automaticamente a cadeira.

"Ele pedia para ser exonerado. Quando ele era exonerado, eu caía automaticamente. Ele voltava, pegava as emendas e nunca deixava nada", disse.

Uma das ocasiões em que Fávaro deixou temporariamente o Ministério da Agricultura ocorreu a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para garantir a presença do senador em uma votação relacionada à CPMI do INSS. A saída temporária do ministério também impediu que Buzetti permanecesse no mandato durante a votação.

Segundo a suplente, essas movimentações contribuíram para o desgaste da relação política entre os dois. Eleitos pelo mesmo grupo político, Fávaro e Buzetti passaram a seguir caminhos diferentes. Enquanto ela afirma ter mantido uma posição alinhada à direita, o senador passou a integrar o governo federal como ministro da Agricultura.

"A minha posição política sempre foi pública. Eu nunca fui de esquerda, sempre fui de direita. Mas acho estranha essa mudança dele para virar ministro", ressaltou.

CONTRA MODELO ATUAL

Buzetti também afirmou ser contrária ao que classificou como uma relação de disputa entre Legislativo e Executivo pela liberação de emendas parlamentares. Segundo ela, bancadas pressionam o governo federal pelo pagamento dos recursos para votar matérias de interesse do Executivo, enquanto o próprio governo também utilizaria a liberação das emendas como instrumento de pressão.

"Não é possível que o Legislativo sequestre o dinheiro do Executivo e fique um fazendo chantagem para o outro. O Legislativo, se não empenham as emendas, não vota as matérias. E aí o Executivo também faz chantagem com o Legislativo: 'se você não votar, eu não pago suas emendas", opinou.

A suplente defendeu ainda que o trabalho dos parlamentares não pode se resumir à destinação de recursos para municípios.

"Tem que ser menos. O parlamentar tem que trabalhar no ofício, mas eles só ficam lá para distribuir emendas. Tem gente que distribuiu aqui R$ 400 milhões de emendas. Isso é um absurdo. Aí o que fez de lei? Qual senador tem leis aprovadas e relevantes?", questionou.

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