"O dólar cai com o mercado precificando o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais", afirma o economista Ian Lopes, da Valor Investimentos, lembrando que investidores veem a candidatura da oposição mais inclinada a promover um ajuste fiscal no próximo governo. "Além disso, a crise no Supremo Tribunal Federal parece favorável à candidatura de Flávio."
Após uma série de levantamentos mostrarem empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o petista numericamente à frente, pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira à noite trouxe os dois candidatos empatados com 41% das intenções de voto em simulação de eventual segundo turno. Sondagem da BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira pela manhã mostrou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro na liderança numérica também em segundo turno, com 46%, contra 45% do petista.
Com o quadro eleitoral no radar, o dólar já abriu em baixa firme e rompeu o piso de R$ 5,10 na primeira hora de negócios, tocando a mínima de R$ 5,0712 no fim da manhã, em sintonia com máximas do Ibovespa acima dos 189 mil pontos. Após reduzir o ritmo de queda ao longo da tarde, terminou o dia em queda de 0,88%, a R$ 5,0858. A moeda americana recua 1,82% frente ao real nos cinco primeiros pregões de setembro, após alta de 2,16% em agosto.
O real apresentou o segundo melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, atrás apenas do peso chileno, que foi impulsionado por máximas históricas do cobre. As cotações do petróleo subiram mais de 2%, em meio a novos ataques no Oriente Médio, com o Brent na casa de US$ 97 - o que é favorável aos termos de troca do Brasil.
"O dólar cai com o retorno do capital externo para a bolsa, associado às pesquisas eleitorais, e a revisão para cima dos fluxos comerciais com petróleo, que segue pressionado", afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, ressaltando que o apetite do estrangeiro pela bolsa "parece consistente com o aumento da probabilidade de ajuste fiscal a partir de 2027".
Após revelação, pela Polícia Federal (PF), de relação de proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo hoje. A Segunda Turma da Corte formou maioria hoje para confirmar decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
A decisão pelo afastamento veio após Moraes divulgar trecho de relatório de inteligência da PF que questiona a atuação de Mendonça e sugere que o ministro teria adotado "posturas muito diferentes" em relação a suspeitas envolvendo integrantes da Corte. À tarde, reportagem do Estadão revelou que o presidente do STF, Edson Fachin, cogita assumir os inquéritos sobre o Master e o INSS, hoje relatados por Mendonça.
O chefe de estratégia global de câmbio do banco ING, Chris Turner, observa que as denúncias contra o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suposto tráfico de influência, e as "manchetes sobre Moraes" parecem abalar a candidatura do petista.
"Investidores estrangeiros preferem as políticas de contenção fiscal e desregulamentação de Bolsonaro", afirma Turner, que tem visão neutra sobre o real e prevê taxa de câmbio em R$ 5,15 em três meses e R$ 5,00 em seis meses.
(Com Agência Estado)
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