Por trás do desempenho está a empolgação dos investidores com o estreitamento da distância entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que reforça a expectativa de que a pauta de gastos públicos seja mais dura a partir do ano que vem, na avaliação do mercado financeiro. Nesta terça, mais uma pesquisa serviu de apoio a essa leitura: segundo a BTG/Nexus, os dois principais candidatos estão tecnicamente empatados.
"Mais fluxo para o EWZ, seja via opções lá fora, seja via compra, voltou a impulsionar a bolsa desde o fim do mês passado. O fluxo estrangeiro tem sustentado as cotações nesse começo de mês", diz Roberto Moura, head de renda variável da Grand Capital Invest. "O estrangeiro foi um dos pontos centrais do movimento recente e estamos nos ajustando em uma velocidade rápida aos fatos políticos."
Um dos sinais de que a valorização do Ibovespa tem características domésticas é justamente o comportamento no comparativo a outros emergentes. Desde o começo do mês, o EWZ, maior ETF ligado a ações brasileiras negociado em Nova York, sobe quase 9%; o EEM, ligado aos mercados emergentes, avança 2,3%. O Brasil integra o EEM, mas tem uma fatia muito inferior a líderes asiáticos, como China, Taiwan e Coreia do Sul, além da Índia.
Em linhas gerais, o Brasil é negociado pelos alocadores globais dentro da cesta de emergentes, mas operadores têm observado que o "trade" eleitoral vem ganhando protagonismo entre esses investidores pelas perspectivas para o lado fiscal e, consequentemente, o ambiente de juros e os efeitos financeiros para as empresas.
(Com Agência Estado)
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