O deputado estadual reeleito Valdir Barranco (PT) afirmou ter encaminhado denúncias ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra a servidora pública Fabiele Canteri, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Ewaldo Meyer Roderjan, em Brasnorte (570 km de Cuiabá), após a divulgação de comentários considerados ofensivos aos povos indígenas do município. Em discurso na Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (4), o parlamentar também anunciou que acionou a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para cobrar esclarecimentos sobre a conduta da profissional.
Segundo Barranco, a denúncia chegou ao seu gabinete por meio de representantes indígenas, que apresentaram capturas de tela de mensagens atribuídas à servidora. Em uma das publicações, Fabiele teria se referido aos indígenas como “vadios”, ao criticar o pagamento de impostos.
“Recebi uma denúncia dos povos indígenas de Brasnorte e com prints de conversas em grupo em que essa servidora da Seduc, lá no município, estava atacando os povos indígenas e chamando eles de vadios”, relatou durante discurso na tribuna.
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Entre os comentários atribuídos à coordenadora pedagógica está a declaração: “Viva os coitados que trabalham pagam impostos para sustentar esses vadios!”. Em outra mensagem, a profissional teria escrito: “nossa vcs são ridículos! Sem educação, igual seu presidente!”.
As publicações provocaram reação de representantes indígenas de Brasnorte, que consideraram as manifestações discriminatórias e passaram a cobrar providências para apurar a conduta da servidora. Diante da repercussão, Barranco anunciou a apresentação de um requerimento direcionado à titular da Seduc, solicitando informações sobre as denúncias e eventuais providências administrativas relacionadas ao caso.
“Por isso, estou fazendo aqui esse requerimento à excelente senhora secretária de Estado de Educação, a fim de que preste informações detalhadas acerca das denúncias de possíveis manifestações discriminatórias contra povos indígenas, atribuídas à profissional Fabiele Canteri”, afirmou.
Além de recorrer aos Ministérios Públicos Federal e Estadual, o parlamentar informou que também levou o caso à corregedoria e à ouvidoria da Seduc, órgãos responsáveis por receber e apurar denúncias relacionadas à atuação de servidores da rede estadual de ensino.
“Portanto, eu já encaminhei denúncia ao Ministério Público Federal e também ao Ministério Público Estadual, uma denúncia também à corregedoria e ouvidoria da Seduc e agora esse requerimento pedindo esclarecimentos à secretária”, declarou.
O episódio ocorre em meio à repercussão de boicotes, assédio eleitoral e ameaças em Mato Grosso, registradas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No fim de outubro, Barranco já havia anunciado que disponibilizaria a assessoria jurídica de seu gabinete para receber relatos de discriminação e perseguição motivadas por posicionamentos políticos.
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