O deputado estadual reeleito Gilberto Cattani (PL) voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas e afirmou que considera legítimo levantar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, apesar do desempenho do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), que ficou à frente do presidente Lula (PT) no primeiro turno. Em declaração na última quarta-feira (7), o parlamentar citou apagões registrados durante período eleitoral e criticou o que classificou como punições a pessoas que questionaram as urnas.
“Dizer que é confiável ou não, é um direito de cada cidadão [...] Eu acho que ainda tenho a liberdade de duvidar que um produto eletrônico possa ser fraudado. Acho que eu ainda tenho esse direito no Brasil e posso ter esse questionamento”, afirmou.
O deputado ponderou que questionar o sistema não significa necessariamente ter razão, mas disse que episódios de interrupção no fornecimento de energia o levam a levantar dúvidas.
“Isso não quer dizer que eu tenha razão. É só isso que acontece. Os brasileiros ficam pensativos com essas coisas. Por exemplo, agora mesmo teve um apagão igualzinho a outra eleição. Isso não é eu que estou dizendo. A imprensa noticiou isso recentemente. Então, isso me dá o direito de falar mas por que está dando tanto apagão? Eu posso fazer esse questionamento”, declarou.
O episódio mencionado pelo parlamentar ocorreu na noite de 4 de outubro, após a visualização dos votos para presidente e vice-presidente no painel nacional do TSE ficar temporariamente indisponível por cerca de 50 minutos.
Segundo a Justiça Eleitoral, o problema atingiu a divulgação dos dados na internet, mas não comprometeu o funcionamento das urnas, a apuração ou a totalização dos votos. A situação foi normalizada às 20h04.
Cattani também criticou as consequências enfrentadas por pessoas que levantaram suspeitas sobre o sistema eleitoral. Na avaliação dele, as punições aplicadas nesses casos representam uma restrição à liberdade de questionamento.
“O que acontece hoje no nosso país é que as pessoas que fizeram esse questionamento foram punidas com 22 milhões de reais de multa e quase foram para a cadeia. Então, essa é a diferença que eu tenho com o Brasil”, disse.
A referência de Cattani à multa de R$ 22,9 milhões remete a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de dezembro de 2022, que manteve a penalidade aplicada ao Partido Liberal (PL) por litigância de má-fé. Na ocasião, o partido pediu uma verificação extraordinária de urnas utilizadas no segundo turno daquele ano, mas, segundo o TSE, não apresentou indícios que justificassem a medida.
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