O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), manteve as declarações em que associou parte dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a “presidiários, faccionados e drogados”, mesmo após a coligação “Brasil Pronto pra Mais”, que apoia a candidatura do petista, acionar a Justiça Eleitoral contra o conteúdo. O prefeito afirmou que pretende apresentar sua defesa no processo e disse que cumprirá eventual determinação judicial para retirar o vídeo do ar.
“Infelizmente, o PT, principalmente na campanha do Lula, entrou com uma ação pedindo que eu retirasse esse vídeo do ar. Nós vamos nos defender, nós vamos nos justificar. E aí, se a justiça mandar tirar, a gente tira. Não tem problema nenhum”, afirmou o gestor, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (16).
Abilio disse que durante a entrevista que resultou na ação judicial havia sido questionado sobre o número de intenções de voto de Lula nas pesquisas e afirmou que o percentual teria relação com o aumento de pessoas que, segundo ele, usam tornozeleiras eletrônicas, dependentes químicos e eleitores que defendem o aborto ou estão envolvidos com drogas.
“Eu fui entrevistado por vocês em uma outra ocasião, onde vocês me perguntaram sobre o número do Lula nas pesquisas. E eu tinha dito que o Lula tinha um número expressivo de quantidade de indicação de voto nas pesquisas, tendo em vista que aumentou significativamente o número de tornozelados, de dependentes químicos, de apoiadores do aborto, de pessoas envolvidas com promiscuidade, drogas e etc”, declarou.
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O prefeito também tentou separar sua declaração de outro conteúdo que circulou nas redes sociais, no qual pessoas foram questionadas sobre os motivos para apoiar Lula. Segundo Abilio, a pergunta teria sido feita por outra pessoa e não por ele.
“E, juntando a essa minha fala, entrou um segundo vídeo, que era o vídeo do Fiote, entrevistando algumas pessoas, onde essas pessoas falavam que queriam apoiar o Lula porque o Lula realmente defendia as drogas. Então, assim, quem fez a pergunta para essas pessoas, o motivo delas quererem apoiar o Lula foi outra pessoa, não fui eu”, afirmou.
Ao justificar as declarações sobre o eleitorado de Lula, Abilio citou vídeos que, segundo ele, mostram integrantes de facções criminosas orientando votos no petista. A partir disso, voltou a questionar quem seria o candidato escolhido por pessoas envolvidas com drogas, integrantes de facções e defensores do aborto.
“Hoje você vê diversos vídeos, por exemplo, no Rio de Janeiro, de faccionados proibindo votar no Flávio Bolsonaro e definindo que tem que votar no Lula. Então, assim, é uma pergunta comum e a sociedade sabe. O faccionado vai votar em quem? No Lula ou no Bolsonaro? O drogado, dependente químico, vai votar em quem? No Lula ou no Bolsonaro? A pessoa que defende o aborto vai votar em quem? No Lula ou no Bolsonaro?”, disse.
Na representação, a coligação “Brasil Pronto pra Mais” argumentou que as declarações ultrapassariam os limites da crítica política e associariam o voto em Lula à criminalidade e ao uso de drogas.
O grupo pediu a retirada do conteúdo e a aplicação de multa. A coligação reúne PSB, PDT, Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e Federação PSOL-Rede.
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