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Cidades Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026, 15:06 - A | A

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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026, 15h:06 - A | A

PROTESTO

Ativista tenta barrar transferência de elefante Sandro para santuário em MT

Henrique Abrahão se mobilizou em frente ao zoológico de Sorocaba nesta quarta-feira (16); elefante deve percorrer cerca de 1,6 mil km até santuário em Chapada dos Guimarães

REDAÇÃO

Reprodução/TV TEM

Elefante Sandro

O biólogo e ativista da causa animal Henrique Abrahão iniciou uma manifestação em frente ao Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), na manhã desta quarta-feira (16), contra a transferência do elefante Sandro para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães (65 km de Cuiabá).

Abrahão viajou 8h de carro até o município paulista na tentativa de impedir a saída do animal. Durante o protesto, realizou uma transmissão ao vivo nas redes sociais e convocou outras pessoas a participarem da mobilização. Manifestantes se juntaram ao biólogo em frente ao zoológico. O prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), aderiu a campanha de mobilização. A previsão que o biológo Richard Rasmussen também participe do ato.

A transferência prevê uma viagem de aproximadamente 1,6 mil quilômetros entre Sorocaba e Chapada dos Guimarães, operação que vem sendo acompanhada pelo HiperNotícias e é alvo de uma longa disputa judicial.

DISPUTA SE ARRASTA HÁ ANOS

O HiperNotícias acompanha o caso desde pelo menos julho de 2025, quando mostrou que Sandro, considerado o único elefante asiático macho mantido no Brasil, poderia ser encaminhado para Mato Grosso. Na ocasião, a transferência já era objeto de disputa judicial. Em abril daquele ano, a Justiça havia determinado que o animal deixasse o zoológico paulista e fosse encaminhado ao santuário.

Em dezembro, o HNT voltou a abordar o caso e mostrou que a mudança estava longe de ser consenso. Enquanto entidades ligadas à proteção animal defendiam a ida de Sandro para o santuário, parte dos críticos argumentava que a idade do elefante, o longo período vivido em Sorocaba e as condições do transporte precisavam ser consideradas. Henrique Abrahão já estava entre as vozes contrárias à transferência.

Sandro vive há mais de quatro décadas no zoológico de Sorocaba, onde é acompanhado por veterinários, biólogos e cuidadores.

MORTES LEVARAM À SUSPENSÃO DE LICENÇA

A discussão ganhou outro componente após as mortes das elefantas Pupy e Kenya no Santuário de Elefantes Brasil, no segundo semestre de 2025.

Diante dos dois casos registrados em um intervalo de aproximadamente dois meses, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema) suspendeu temporariamente a entrada de novos animais no local e exigiu informações sobre os protocolos de biossegurança e manejo. O Ibama também acompanhou o caso.

Em fevereiro deste ano, entretanto, o santuário teve a licença restabelecida. Conforme já noticiado pelo HNT, o SEB informou que foi comprovada a inexistência de risco sanitário e voltou a ficar autorizado a receber novos animais.

VIAGEM DEVE DURAR MAIS DE DOIS DIAS

No último sábado (12), o HiperNotícias mostrou que os preparativos para a transferência de Sandro já estavam em andamento.

Uma equipe especializada do santuário foi até Sorocaba para trabalhar na adaptação do elefante à caixa utilizada no transporte. A estrutura, construída especialmente para a operação, pesa cerca de 10 toneladas e possui climatização, câmeras e aberturas para acompanhamento do animal.

A previsão é de que Sandro percorra aproximadamente 1.615 quilômetros, em uma viagem estimada em dois dias e meio e acompanhada por equipe técnica. A operação deve custar cerca de R$ 200 mil. Segundo o santuário, a preparação e o transporte devem respeitar o comportamento e o tempo de adaptação do próprio elefante.

O SEB sustenta que, em Chapada dos Guimarães, Sandro terá acesso gradual a áreas naturais e maior autonomia para caminhar, explorar o ambiente e desenvolver comportamentos próprios da espécie. Atualmente, o espaço abriga outras elefantas asiáticas.

Henrique Abrahão e os manifestantes, por outro lado, defendem a permanência de Sandro em Sorocaba e contestam a mudança de ambiente depois de décadas vivendo no zoológico.

A mobilização desta quarta-feira representa, portanto, mais um capítulo de uma discussão que se estende há anos e coloca em lados opostos grupos que apresentam diferentes avaliações sobre qual ambiente oferece melhores condições para Sandro.

 

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