O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) anunciou que a Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari) passará a utilizar inteligência artificial (I.A) para otimizar o julgamento de recursos e acelerar as respostas aos cidadãos. Durante coletiva realizada nesta quinta-feira (2), o prefeito destacou que a tecnologia será uma aliada na triagem de casos, permitindo que a administração pública atenda à demanda crescente com maior eficiência.
“A Jari vai sim implementar o sistema de análise com a IA. Ao mesmo tempo, há necessidade de aumentar o número de julgadores para que a gente possa ter mais processos analisados. Esses processos possam dar celeridade para a resposta da população”, declarou Brunini.
Sobre a operacionalização da medida, o prefeito esclareceu que a gestão do processo de contratação e a avaliação técnica da ferramenta não estão sob sua responsabilidade direta, mas sim vinculada à pasta de Ordem Pública (Sorp), liderada pela secretária Juliana Palhares. Recentemente, a Pasta já deu passos em direção à digitalização com o lançamento do Auto de Infração Digital.
“Não sou eu especificamente que contrato. Quem faz a avaliação sobre isso é o secretário ou a secretária. E depois ela encaminha para o setor de licitações de contratos”, explicou o gestor.
A proposta de automatização na Jari se baseia em modelos já adotados por órgãos superiores da justiça brasileira. O objetivo é aplicar a tecnologia em fluxos de trabalho que apresentam padrões repetitivos, garantindo que o sistema jurídico municipal acompanhe a evolução digital observada em outros tribunais.
“A Jari precisa aumentar a capacidade de atendimento por causa das infrações que a gente tem. E aí nós precisamos otimizar. A inteligência artificial ajuda muito. O CNJ já usa inteligência artificial. O Tribunal de Justiça, não sei se o nosso aqui usa, mas muitos tribunais de justiça já usam inteligência artificial. E acredito que é natural em análises de processos que são repetição”, afirmou Abilio.
Um dos principais gargalos apontados pelo prefeito é a perda de eficácia das sanções devido à falta de agilidade no processamento dos recursos que pode anular multas devidamente aplicadas, gerando prejuízo à administração e insegurança jurídica para o munícipe que deseja recorrer.
“A Jari tem prazo para analisar os recursos da população. A população vai lá, toma uma infração e ela recorre. E ela tem prazo para analisar esse recurso. Quando a Jari perde o prazo, a infração que foi aplicada também vence e ela deixa de ter valor. Então às vezes perde-se muito por falta de celeridade no processo do recurso. Até mesmo para que a pessoa possa recorrer na justiça, por exemplo”, concluiu.
A Secretaria Municipal de Ordem Pública já incorporou novas tecnologias à legislação urbana por meio da Lei Complementar nº 589/2025, que prevê o uso de drones, mapeamento por satélite e inteligência de dados. Além da Jari, o setor de fiscalização já atua com tablets e sistemas georreferenciados, substituindo o papel por processos digitais para garantir mais transparência e economia de recursos públicos.
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