A investigação sobre a morte de Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho, executada a tiros dentro de uma casa noturna em Poxoréu (263 km de Cuiabá), aponta que o motorista responsável pela segunda etapa da fuga já estava de prontidão antes do crime. Segundo o relatório da Polícia Civil, Túlio César de Oliveira Lima recebeu instruções para resgatar o executor e aguardou a definição do local onde deveria buscá-lo.
Lavínia foi morta na madrugada de 10 de maio, no estabelecimento Rezende Lounge Hookah. Conforme a investigação, o atirador chegou ao local de motocicleta, disparou pelo menos cinco vezes contra a jovem e fugiu em uma Honda XRE 300, que posteriormente foi abandonada nas proximidades da região conhecida como “lixão”.
A partir dali, segundo os investigadores, o executor teria sido retirado por um Hyundai HB20S cinza, veículo ligado a Túlio. A participação dele, inicialmente analisada como possível auxílio posterior, ganhou outra dimensão após a extração de dados do celular apreendido durante a investigação.
As mensagens recuperadas mostram que, ainda na noite de 9 de maio, Túlio teria recebido a orientação para permanecer preparado porque seria necessário “resgatar um mano”. Naquele momento, o local ainda não estava definido e a comunicação indicava que o indivíduo seria responsável por “pegar a guria”.
Durante a madrugada, Túlio continuou recebendo informações sobre a movimentação da vítima. Por volta de 1h, foi informado de que Lavínia iria ao estabelecimento Rezende. Pouco depois, recebeu a ordem para aguardar em determinado ponto e se deslocar rapidamente.
Já próximo ao horário do homicídio, Túlio teria perguntado em qual motocicleta estava o executor. A investigação aponta que a pergunta ocorreu pouco antes dos disparos.
Após a morte, por volta das 2h02, o interlocutor identificado como “Infinity”, atribuído pela Polícia Civil a Aldo Rodrigues de Souza, conhecido como D40, teria determinado que Túlio apagasse os vestígios digitais. Segundo o relatório, ele concordou em formatar o aparelho, excluir o WhatsApp e posteriormente utilizar outro número.
Para a Polícia Civil, a sequência das comunicações indica que o apoio não ocorreu por acaso ou somente depois do homicídio. A investigação aponta que Túlio já aguardava instruções antes da execução, acompanhou a movimentação da vítima, dirigiu-se ao ponto determinado e participou da retirada do executor.
O relatório também aponta que Túlio foi indiciado, em tese, por homicídio qualificado pelo motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de integrar organização criminosa.
A investigação, no entanto, ainda não identificou o homem que efetuou os disparos. A Polícia Civil informou que as diligências continuam para identificar o executor material, localizar a arma utilizada e esclarecer a participação de outras pessoas.
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