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Polícia Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026, 18:42 - A | A

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Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026, 18h:42 - A | A

NOVO CANGAÇO

Líder de facção ligado a túnel de 250m na PCE é preso com ajuda de agência americana no Paraguai

Homem era procurado pela Justiça e foi localizado em Assunção com documento falso, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso

DA REDAÇÃO

REPRODUÇÃO

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Um homem apontado pela Polícia Civil de Mato Grosso como uma das lideranças de uma facção criminosa investigada na Operação Raspa Brasil foi preso nesta quinta-feira (3), em Assunção, no Paraguai. Foragido da Justiça, ele era procurado por suspeitas de envolvimento em diferentes crimes e teria ligação com a construção de um túnel de aproximadamente 257 metros em Cuiabá, que, segundo as investigações, seria utilizado para resgatar integrantes da organização presos na Penitenciária Central do Estado (PCE).

A prisão ocorreu durante uma ação conjunta do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), da Gerência de Polinter (Gepol), da Polícia Nacional do Paraguai e da agência norte-americana DEA.

Conforme a Polícia Civil, o suspeito foi localizado após deixar o Brasil e estava utilizando documentação falsa. A investigação apontou ainda que ele já havia sido identificado em uma situação semelhante, em fevereiro de 2023, em Pontes e Lacerda, quando teria utilizado documento falso.

Túnel de 257 metros

A construção do túnel é investigada desde 2022. De acordo com a Polícia Civil, a estrutura teria sido aberta a partir de uma residência em Cuiabá em direção à PCE e faria parte de um plano para possibilitar a retirada de integrantes da facção que estavam presos na unidade.

O homem também é investigado por possível participação em crimes relacionados ao chamado “Novo Cangaço”, modalidade de assalto a instituições financeiras praticada por grupos fortemente armados.

Em outubro de 2025, durante uma ação relacionada às investigações, equipes do GCCO e da Draco apreenderam quase duas toneladas de maconha em uma propriedade rural ligada ao suspeito. Quatro pessoas foram presas na ocasião.

Operação Raspa Brasil

O suspeito também é investigado por participação no esquema conhecido como “Raspa Brasil Nacional”, relacionado à distribuição ilegal de cartelas de raspadinha. Segundo a Polícia Civil, ele exerceria a função de coordenador da atividade em Mato Grosso, sendo responsável por repasses financeiros e pela expansão do esquema no Estado.

Durante o monitoramento, investigadores teriam identificado o suspeito transportando materiais de divulgação e mantendo contato com integrantes do grupo por meio de chamadas de vídeo. Ainda conforme a investigação, ele cobrava informações sobre estabelecimentos comerciais, quantidade de cartelas distribuídas, valores arrecadados e repasses financeiros.

A polícia afirma que o descumprimento das determinações impostas pelo grupo poderia resultar em punições internas, classificadas como “disciplina”.

Fuga para o Paraguai

Após deixar Mato Grosso, o homem teria permanecido no Rio de Janeiro, onde, segundo a Polícia Civil, continuou mantendo contato com integrantes da organização criminosa. Posteriormente, deixou o Brasil e passou a ser monitorado pelas autoridades até ser localizado no Paraguai.

Ainda de acordo com os investigadores, ele utilizava redes sociais com identidades falsas para manter uma rotina aparentemente normal. Publicações feitas em fevereiro de 2026 no Rio de Janeiro teriam mostrado o suspeito ao lado de uma mulher que possuía cinco mandados de prisão.

Em outra publicação analisada pela polícia, apareceria uma arma semelhante a um fuzil. Os investigadores também identificaram postagens relacionadas a atividades físicas, bares e outros momentos da rotina do investigado.

Relatos sobre incapacidade

A Polícia Civil também informou que o homem havia apresentado, em processos judiciais, relatórios e alegações relacionadas a uma suposta incapacidade mental. Segundo a investigação, porém, o comportamento atribuído ao suspeito durante o período em que esteve foragido teria levantado questionamentos sobre a extensão dessa incapacidade. A polícia cita chamadas de vídeo, orientações a integrantes do grupo e cobranças relacionadas às atividades criminosas investigadas.

As informações foram encaminhadas pela GCCO às autoridades competentes para subsidiar eventual análise dos documentos e pedidos relacionados ao caso. Com a prisão em Assunção, as autoridades iniciaram os procedimentos de cooperação internacional necessários para o cumprimento das determinações judiciais contra o investigado.

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