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Polícia Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 15:21 - A | A

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Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 15h:21 - A | A

ENGODO DIGITAL

Influenciadora teria usado empresas de beleza para dissimular dinheiro de apostas

Draco investiga estrutura financeira que teria movimentado R$ 28 milhões e aponta participação de familiares, colaboradores e empresas ligadas ao grupo

GABRIEL BARBOSA
Da Redação

REPRODUÇÃO

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A investigação da Polícia Civil de Mato Grosso sobre um esquema de apostas ilegais que teria movimentado mais de R$ 28 milhões aponta que empresas do setor de beleza podem ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos. A estrutura teria relação com a atuação da influenciadora digital Natalie Aparecida, apontada pela Draco de Sinop como uma das peças centrais do esquema.

A Operação Engodo Digital foi deflagrada nesta terça-feira (18) para cumprir 56 ordens judiciais contra 10 pessoas e oito empresas. A investigação apura suspeitas de exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.

Segundo a Polícia Civil, os valores teriam circulado entre 2023 e 2025 por meio de plataformas de apostas não autorizadas. Parte do dinheiro teria entrado em contas de empresas relacionadas ao setor e, posteriormente, sido redistribuída para uma rede formada por familiares e colaboradores da influenciadora.

EMPRESAS DE BELEZA ENTRAM NO RADAR

Conforme a apuração da Draco, o grupo teria criado diferentes empresas e utilizado estruturas societárias que, em tese, dificultariam a identificação dos responsáveis pela movimentação financeira.

Entre as estratégias investigadas está a utilização de empresas do ramo de beleza. A suspeita é de que essas estruturas tenham sido empregadas para dissimular a origem dos recursos obtidos por meio das plataformas de apostas.

A Polícia Civil não detalhou quais empresas de beleza seriam utilizadas nem apresentou, até o momento, o valor individualizado que teria passado por essas estruturas.

INFLUENCIADORA É PEÇA CENTRAL

Natalie Aparecida está entre as 10 pessoas físicas investigadas pela Polícia Civil. Segundo a Draco, ela teria utilizado duas contas em uma rede social para divulgar plataformas de jogos de azar sem autorização dos órgãos reguladores.

A influenciadora também mantinha, ao lado de outra investigada, um grupo no WhatsApp destinado ao compartilhamento de links e orientações sobre apostas de cotas fixas consideradas ilegais. A investigação aponta que Natalie possui mais de 115 mil seguidores em uma das redes sociais e teria utilizado a exposição digital para promover as plataformas que estão no centro da apuração.

A participação atribuída à influenciadora, porém, ainda é objeto de investigação. 

MAIS DE R$ 28 MILHÕES SÃO INVESTIGADOS

Segundo a Polícia Civil, mais de R$ 28 milhões teriam sido movimentados entre 2023 e 2025 sem declaração às autoridades fiscais. Para os investigadores, há indícios de que os recursos sejam provenientes da exploração de jogos de azar pela internet.

Entre as empresas citadas na investigação estão Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos.

De acordo com a apuração, os recursos recebidos por empresas ligadas às plataformas de apostas seriam posteriormente redistribuídos entre pessoas apontadas como familiares e colaboradores da influenciadora.

A Justiça autorizou 56 medidas contra os investigados. Entre elas estão 14 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, quebra de sigilo telemático, bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias, além de bloqueio de contas em redes sociais e outras medidas cautelares.

As ordens são cumpridas em Sorriso, no norte de Mato Grosso, e também em São Paulo e São Bernardo do Campo. Equipes da Polícia Civil de Mato Grosso contam com apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo.

As investigações continuam para identificar a participação individual de cada alvo e esclarecer como a estrutura financeira teria sido utilizada para movimentar e ocultar os recursos.

Os investigados são alvo de apuração e têm direito à defesa e à presunção de inocência.

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