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Polícia Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 10:40 - A | A

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Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 10h:40 - A | A

OPERAÇÃO CANADÁ

Operação mira fraude em cadastro de fazenda avaliada em R$ 84 milhões em MT

Polícia Civil cumpre 14 mandados em Mato Grosso e no Pará após identificar alterações fraudulentas no cadastro de uma propriedade rural em Confresa

DA REDAÇÃO

PJC-MT

Operação Canadá

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (18), a Operação Canadá para desarticular um grupo investigado por fraudes no Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural (Simcar), envolvendo uma propriedade localizada em Confresa (1.048 km de Cuiabá).

Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Rondonópolis (216 km de Cuiabá), Ribeirão Cascalheira (771 km de Cuiabá) e Tailândia, no Pará. As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, Polo Barra do Garças (511 km de Cuiabá).

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e tem como alvos profissionais credenciados no sistema de cadastro ambiental, entre eles engenheiros florestais, técnicos em agrimensura, responsáveis por empresas de topografia e engenharia e pessoas apontadas como procuradoras em atos cartorários suspeitos.

Segundo a Polícia Civil, não há indícios de envolvimento de servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). O órgão é considerado vítima, assim como os proprietários legítimos da Fazenda Canadá.

Os investigados são apurados por suspeitas de fraude em informações ambientais, falsidade ideológica, falsificação de documento público, uso de documento falso, estelionato, corrupção ativa e associação criminosa.

FRAUDE NO CADASTRO

A investigação começou depois que os proprietários da fazenda perceberam que a área registrada no Cadastro Ambiental Rural havia sido deslocada eletronicamente para outra região de Mato Grosso.

Conforme a Dema, as senhas e os e-mails vinculados ao cadastro também foram alterados sem autorização dos proprietários. Durante as diligências, os investigadores identificaram a inserção de informações falsas no SIMCAR e a criação de novos cadastros ambientais em nome dos donos da propriedade.

A apuração aponta ainda que documentos cartorários teriam sido produzidos com informações falsas, entre eles procurações públicas, substabelecimentos e escrituras de compra e venda. A suspeita é de que os documentos tenham sido utilizados para simular a transferência da titularidade de parte da fazenda.

Um dos cadastros considerados fraudulentos serviu de base para uma avaliação rural de R$ 84 milhões, que teria sido apresentada como garantia em tentativas de obtenção de crédito junto a instituições financeiras.

A Polícia Civil também identificou indícios de pagamento de propina a um escrevente para viabilizar o reconhecimento irregular de assinaturas em um documento falso relacionado ao arrendamento da propriedade.

INVESTIGAÇÃO CONTINUA

O cumprimento dos mandados mobilizou 54 policiais civis das delegacias vinculadas à Diretoria de Atividades Especiais e das Delegacias Regionais de Rondonópolis e Ribeirão Cascalheira.

A ação contou ainda com apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e da Polícia Civil do Pará, que auxiliou nas diligências realizadas em Tailândia. Todo o material apreendido será submetido a exames periciais e analisado pelo Núcleo de Inteligência da Dema.

O objetivo é identificar novas provas, esclarecer a participação de cada investigado e concluir o inquérito policial, que poderá resultar no indiciamento dos envolvidos.

O nome da operação faz referência à Fazenda Canadá, propriedade rural pertencente às vítimas da suposta fraude.

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