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Polícia Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 21:55 - A | A

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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 21h:55 - A | A

CASO LAVÍNIA

Mensagens revelam plano para matar jovem em Poxoréu e apagar provas após execução

Conversas recuperadas pela Polícia Civil mostram monitoramento de Lavínia, preparação da fuga e ordem para destruir registros digitais logo após os disparos

GABRIEL BARBOSA
Da Redação

REPRODUÇÃO

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Mensagens trocadas entre os investigados ajudaram a Polícia Civil a reconstruir as horas que antecederam a morte de Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho e os momentos imediatamente posteriores à execução. Segundo o relatório policial, as conversas indicam que a jovem era monitorada antes de chegar à casa noturna e que integrantes do grupo acompanhavam sua movimentação até a definição do local onde ela seria morta.

Os diálogos foram recuperados a partir da extração de dados de celulares apreendidos durante a investigação. Um dos principais conjuntos de mensagens foi encontrado no aparelho de Túlio César de Oliveira Lima, identificado pelo codinome “Dominador”, e mantido com o contato salvo como “Infinity”, posteriormente relacionado pela Polícia Civil a Aldo Rodrigues de Souza, o D40.

A primeira comunicação destacada no relatório ocorreu às 23h54 do dia 9 de maio. “Infinity” teria orientado Túlio a permanecer preparado para “resgatar um mano”. Naquele momento, ainda não havia um ponto definido para a retirada.

A comunicação prosseguiu durante a madrugada. Às 0h45, Túlio perguntou se o apoio continuava necessário. A resposta, segundo a investigação, foi positiva, com a justificativa de que a chuva havia atrasado a saída da vítima.

Pouco depois da 1h, o interlocutor informou que a chuva havia parado e que Lavínia seguiria para o Rezende. Já às 1h38, Túlio recebeu a indicação de onde deveria aguardar e foi orientado a se deslocar rapidamente.

A investigação aponta que, nos minutos seguintes, Túlio informou que estava chegando à região indicada e perguntou qual motocicleta estava sendo utilizada pelo executor. A resposta teria sido apagada, seguida de uma ligação entre os dois.

O homicídio ocorreu por volta das 2h. Lavínia foi atingida por pelo menos quatro dos cinco disparos identificados pela perícia e morreu ainda dentro do estabelecimento.

Pouco depois da execução, às 2h02, surgiu outra ordem considerada relevante pelos investigadores. Segundo o relatório, “Infinity” determinou que Túlio formatasse o celular e apagasse o WhatsApp, além de trocar posteriormente o número utilizado.

Para a Polícia Civil, a sequência temporal das mensagens demonstra que os envolvidos não apenas tiveram conhecimento posterior sobre o homicídio. As conversas, segundo o relatório, mostram acompanhamento da movimentação da vítima, preparação do apoio, definição do ponto de espera e orientações após a execução.

A investigação também aponta que a motivação estaria relacionada à suspeita de que Lavínia repassava informações à Polícia Militar sobre integrantes do Comando Vermelho, incluindo endereços, veículos e pontos ligados ao tráfico de drogas.

A análise dos celulares também teria revelado que a adolescente Ana Clara Sousa da Guia, que acompanhava Lavínia antes do crime, possuía informações sobre as desconfianças contra a vítima e sobre a possível execução. Por ter 17 anos na época, ela não foi indiciada criminalmente, e a Polícia Civil informou que o caso deverá ser encaminhado conforme as regras previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Com base no conjunto de provas, Aldo e Túlio foram indiciados, em tese, por homicídio qualificado e crimes relacionados à organização criminosa. O relatório ressalta, porém, que o executor dos disparos ainda não foi identificado.

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