Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha” e apontada como uma das principais lideranças do CV no extremo norte de Mato Grosso, já está sob custódia da Polícia Federal em Corumbá (MS). A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Mato Grosso, após a criminosa ser capturada na terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
O retorno de Angeliquinha para Mato Grosso depende agora das providências determinadas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso. Enquanto isso, ela permanece sob custódia da Polícia Federal em Corumbá.
A captura encerrou mais de um ano de fuga. Angeliquinha escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, em 17 de agosto de 2025. Desde então, passou a ser procurada pelas forças de segurança.
Segundo a Polícia Civil, Angélica tinha seis mandados de prisão em aberto e acumula mais de 260 anos de condenações por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.
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LIDERANÇA NO EXTREMO NORTE
De acordo com o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Angeliquinha é apontada como líder da organização criminosa Comando Vermelho (CV) na região de Alta Floresta e municípios vizinhos.
Segundo o delegado, as investigações atribuem a ela o comando de atividades relacionadas ao tráfico de drogas, extorsões em áreas de garimpo e controle da entrada e saída de armamentos na região.
“É a mulher que lidera toda aquela região, a líder da facção mesmo”, afirmou Victor Hugo.
A Polícia Civil também investiga a movimentação financeira relacionada às atividades criminosas. Conforme o delegado, familiares de Angeliquinha teriam sido beneficiados com valores provenientes dessas atividades. O nome dela também aparece em investigações anteriores, como a Operação Showdown.
INFLUÊNCIA MESMO DURANTE A PRISÃO
Outro ponto destacado pela investigação é que Angeliquinha teria mantido influência sobre a organização criminosa mesmo durante o período em que esteve presa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May.
De acordo com Victor Hugo, ela mantinha uma posição de liderança sobre outras detentas e teria continuado a exercer influência sobre integrantes da facção.
Após a fuga para a Bolívia, a Polícia Civil passou a investigar também se Angeliquinha continuou dando ordens e mantendo contato com integrantes da organização a partir de Santa Cruz de la Sierra.
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CAPTURA EM SANTA CRUZ DE LA SIERRA
Angeliquinha foi localizada em Santa Cruz de la Sierra durante uma ação articulada entre investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso e autoridades bolivianas.
Segundo a polícia, ela foi abordada em via pública, e não dentro da residência onde estava morando.
No momento da abordagem, conforme a investigação, Angeliquinha apresentou um documento brasileiro falso com outra identidade. A identificação facial e informações repassadas previamente às autoridades bolivianas permitiram confirmar que se tratava da foragida procurada em Mato Grosso.
A ação contou com a participação do GCCO, Draco, Gerência Estadual de Polinter e forças de segurança da Bolívia.
Após a captura, Angeliquinha foi conduzida até Corumbá, onde foi entregue à Polícia Federal. O retorno para Mato Grosso depende agora dos procedimentos determinados pelo Judiciário dos dois estados.
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