As candidaturas do campo progressista e democrático nascem da convicção de que o Brasil precisa voltar a sonhar grande. É necessário buscar a derrota do negacionismo extremista e impedir que a intolerância volte a colocar o ódio, a anticiência e a submissão nacional no centro do debate político brasileiro.
Precisamos garantir um projeto que reúna a força necessária para aprofundar a reconstrução do país. Para isso, nós, eleitores e eleitoras de Mato Grosso, precisamos, neste ano, eleger uma bancada federal no Congresso Nacional comprometida com a classe trabalhadora e constituir uma grande frente parlamentar popular na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Catalisando esse avanço, mais um mandato popular e democrático no Palácio do Planalto permitirá ao país prosseguir na garantia de sua soberania e na implementação de políticas voltadas à população de menor renda, aos trabalhadores e à classe média. A eleição deste ano definirá não apenas o comando do Poder Executivo federal, mas também os rumos do desenvolvimento nacional e a capacidade de ampliar políticas públicas voltadas à maioria da população.
Nossa soberania deve caminhar junto com a ampliação dos direitos sociais. O Sistema Único de Saúde (SUS), a educação pública, a moradia, a geração de empregos e o fortalecimento do setor industrial, com foco em inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e geração de empregos qualificados, são pautas que precisam ocupar lugar central na agenda do debate nacional.
O desafio central das candidaturas populares e progressistas é contribuir para isolar e derrotar a extrema direita, demonstrando que o que está em jogo, neste momento, não se resume às diferenças de política interna, mas envolve o destino do Brasil enquanto nação democrática e soberana.
Os nomes apresentados para essa disputa eleitoral, verdadeiramente conectados às demandas do povo pobre e trabalhador, devem estar enraizados nas lutas do nosso tempo — cada um e cada uma com suas particularidades — e inseridos em partidos com forte vínculo junto à população. Devem, ainda, apresentar alternativas e soluções para as demandas dos mato-grossenses.
Esse projeto deve buscar alinhar as grandes pautas nacionais de desenvolvimento às necessidades locais, garantindo que o crescimento econômico alcance toda a população e não fique restrito a determinados setores e nichos econômicos. Esses setores são importantes para a balança comercial, mas não podem ser compreendidos de forma dissociada dos demais segmentos produtivos estaduais.
É urgente recuperar a capacidade de investimento do Estado para viabilizar políticas sociais estruturantes, principalmente no campo da saúde.
Na segurança pública, que é dever do Estado, as diretrizes do plano de governo devem ter como foco o combate aos altos índices de feminicídio no estado, a proteção aos povos indígenas, à população LGBTQIAPN+ e à juventude preta e periférica.
O Estado precisa avançar na expansão da oferta de vagas na educação infantil, enfrentando o déficit existente na faixa etária de 0 a 3 anos e garantindo dignidade aos filhos e às filhas de trabalhadores e trabalhadoras e às suas famílias. Também é preciso fortalecer o ensino técnico e profissionalizante, por meio de parcerias com as universidades públicas, assegurando formação, oportunidades para o primeiro emprego, novas possibilidades de inserção no mercado de trabalho e salários justos.
Na economia, é preciso agregar valor à produção agropecuária por meio de ecossistemas de inovação e de tecnologias aplicadas ao campo, visando elevar a renda dos trabalhadores e das trabalhadoras, além de proteger o mercado local das oscilações da economia internacional.
O projeto político deve reafirmar o compromisso ético e social de incluir populações indígenas, quilombolas e trabalhadores na gestão pública, garantindo a paridade de gênero.
Grandes são os desafios, e eles transcendem as telas dos smartphones e suas redes sociais. O desenvolvimento de Mato Grosso e do Brasil exige participação política, organização social e compromisso com a construção de um projeto de país que combine soberania, desenvolvimento econômico, justiça social, inclusão e democracia.
(*) CÉSAR DELGADO é Historiador, Professor, membro titular do Instituto Histórico e Geográficos de Várzea Grande, diretor da UNEGRO Pantanal - União de Negras e Negros pela Igualdade, e empregado dos Correios de MT.
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