A avaliação é que políticas públicas - como programas de estímulo à produção de automóveis mais eficientes e o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina - não conseguiram reverter a trajetória de alta das emissões. Com isso, o setor de transportes segue fora do ritmo exigido para cumprir as metas de neutralização de carbono previstas no Acordo de Paris.
O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Daniel Neves Schmitz Gonçalves e George Vasconcelos Goes, do Programa de Engenharia de Transportes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Usa como base os dados do Observatório do Clima e do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, além do Primeiro Relatório Bienal de Transparência, que é uma prestação de contas às Nações Unidas sobre as ações climáticas do Brasil.
O Centro Brasil no Clima (CBC) é uma organização voltada à descarbonização da economia, proteção da biodiversidade e promoção da justiça climática.
Segundo o estudo, a redução de 20% nas emissões líquidas do Brasil entre 2005 e 2022 - reconhecida internacionalmente - decorreu principalmente da queda do desmatamento. Já a adoção de carros elétricos ainda tem efeito considerado incipiente na mitigação das emissões. No transporte de passageiros, o fator que de fato conteve o avanço das emissões, aponta a pesquisa, foi o maior uso de biocombustíveis, especialmente o etanol.
No transporte de cargas, responsável por 53,9% das emissões do setor, persiste a forte dependência do diesel, e ainda faltam alternativas em escala suficiente para substituir esse combustível fóssil, apontam os pesquisadores. Embora correspondam a apenas 3% da frota circulante, os caminhões respondem por uma fatia desproporcional das emissões.
(Com Agência Estado)
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