O objetivo do agente de pátio do Colégio Liceu Cuiabano, Valdevino Almeida Fidélis, de 65 anos, não era ferir a enteada, mas utilizá-la como testemunha de sua própria morte. A declaração é do delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), realizada em entrevista concedida nesta terça-feira (12).
"Ele queria, na verdade, em tese, se matar e fazer com que ela visse ele tirar a própria vida", afirmou o delegado. Um vídeo gravado antes da chegada da PM já mostrava Valdevino declarando que "iria morrer hoje" e pedindo que a polícia fosse chamada "para levar o corpo".
Valdevino foi morto por policiais na noite desta segunda-feira (11), durante uma ocorrência na Rua Nossa Senhora de Santana esquina com a Rua Rui Barbosa, no bairro Goiabeiras, em Cuiabá. Os agentes foram acionados após denúncias de que ele estaria mantendo a enteada em cárcere privado dentro da residência.
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Sobre o momento da intervenção policial feita pela equipe do Raio, o delegado mencionou que o desfecho ocorreu no instante em que o suspeito parecia hesitar:
"A vítima disse que ele estava tentando se entregar, foi quando a Polícia chegou e houve esse desfecho", pontuou Abreu. Eles sustentam que Valdevino apontou a arma para a cabeça da menina e efetuou disparos contra os policiais ao notar o cerco, o que provocou o revide.
Segundo o delegado, a vítima relatou ter passado cerca de duas horas sob o controle dele. "Ela não falou que foi um cárcere. Ele não falou: 'você está presa aqui'. Mas a partir do momento que ele tranca a porta e empunha uma arma, ela entendeu que estava em cárcere e não tentou reagir, tentou acalmar ele", detalhou Bruno Abreu.
A fala busca esclarecer a divergência entre a versão policial e a contestação da família, que negava o sequestro alegando que ambos mantinham uma relação de pai e filha.
As investigações revelaram um cenário de forte perturbação emocional de Valdevino, que trabalhava há mais de uma década no Liceu Cuiabano. Conforme o depoimento, o objetivo dele não seria ferir a enteada, mas utilizá-la como testemunha de sua própria morte.
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A morte de Valdevino, carinhosamente chamado de "Pai" pelos alunos da escola estadual, gerou uma onda de comoção e luto na capital. Enquanto as redes sociais se inundaram de homenagens de estudantes e colegas, o Liceu Cuiabano suspendeu as aulas nesta terça-feira (12). A DHPP continuará analisando as provas periciais e os vídeos do circuito interno para confrontar os relatos e concluir o inquérito sobre as circunstâncias da morte e a conduta da guarnição.
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O caso agora entra em uma fase de análise técnica pela Politec, que deve periciar a arma do servidor e os projéteis disparados. O depoimento da enteada é considerado a peça-chave para entender se houve, de fato, uma tentativa de rendição por parte de Valdevino ou se a reação da PM foi a única via para garantir a integridade da refém.
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