Mesmo foragida da Justiça brasileira, Angeliquinha mantinha uma vida de luxo em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde foi presa nesta terça-feira (22). Imagens obtidas pela Polícia Civil de Mato Grosso mostram momentos registrados por ela durante o período em que permaneceu escondida no país.
Nos vídeos, ela aparece em momentos de descontração, comemorando e exibindo garrafas de uísque. O material foi localizado durante as investigações que levaram à identificação do paradeiro da foragida.
Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a polícia optou por preservar outras informações sobre a rotina de Angeliquinha na Bolívia para não comprometer as diligências que ainda estão em andamento.
O delegado confirmou que ela vivia uma rotina considerada luxuosa em Santa Cruz de la Sierra, mas afirmou que detalhes sobre onde ela morava, com quem mantinha contato e outros aspectos da vida que levava no país ainda serão divulgados posteriormente, conforme o avanço das investigações.
INVESTIGAÇÃO APURA ATUAÇÃO NA FRONTEIRA
Angeliquinha deixou a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, em 17 de agosto de 2025. Desde então, a Polícia Civil passou a acompanhar os possíveis caminhos utilizados por ela para deixar Mato Grosso.
De acordo com Victor Hugo, as informações reunidas durante a investigação apontaram que a rota seguida pela foragida era compatível com uma saída do Estado em direção à Bolívia. A partir do levantamento de dados, os investigadores conseguiram identificar que ela estava em Santa Cruz de la Sierra desde o período posterior à fuga.
A permanência da foragida na cidade, porém, passou a ser um novo ponto de investigação.
A região de Santa Cruz de la Sierra e outras cidades próximas à fronteira com o Brasil são consideradas estratégicas para a movimentação de drogas entre a Bolívia e o território brasileiro. O local também é marcado pela atuação e disputa de grupos criminosos pelo controle das rotas utilizadas para o tráfico.
Segundo o delegado, Angeliquinha é investigada para esclarecer qual era sua real atuação na região e por qual motivo escolheu permanecer justamente naquele ponto da Bolívia.
A Polícia Civil também busca descobrir se ela teve participação na negociação ou na viabilização da entrada e saída de drogas pela região fronteiriça.
Para isso, os investigadores devem aprofundar a análise de dados telemáticos e outras informações obtidas durante as diligências.
“Uma outra coisa que a gente tem convicção é que ela tinha uma atuação importante para ter ficado lá em Santa Cruz”, afirmou o delegado, ressaltando que a real posição ocupada por Angeliquinha na região ainda é alvo de investigação.
LÍDER O CV
Segundo as investigações, Angeliquinha não interrompeu sua atuação junto ao Comando Vermelho mesmo depois de fugir do Brasil.
A polícia aponta que, durante o período em que permaneceu escondida na Bolívia, ela manteve contato frequente com familiares e continuou enviando ordens e orientações a integrantes da facção.
Dessa forma, segundo a investigação, Angeliquinha continuou exercendo papel de liderança no grupo criminoso mesmo à distância, enquanto mantinha sua rotina em Santa Cruz de la Sierra.
A Polícia Civil agora busca esclarecer também qual era a extensão dessa atuação na Bolívia e se a posição ocupada por ela na região estava relacionada às atividades criminosas investigadas.
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