A foragida Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, passou por mais de cinco procedimentos estéticos e começou a alterar o rosto com a intenção de dificultar sua identificação durante o período em que permaneceu escondida na Bolívia. A informação foi confirmada pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Segundo o delegado, Angeliquinha já havia realizado diversas intervenções estéticas e passou a modificar as características faciais com o objetivo de dificultar o trabalho das autoridades e tentar escapar de eventuais ações para localizá-la.
“Então ela tinha várias cirurgias estéticas e agora ela começou a mudar o rosto, com essa intenção de ludibriar eventuais ações em favor dela”, explicou Victor Hugo.
Angeliquinha foi presa nesta terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. No momento da abordagem, ela também apresentou um documento brasileiro falso, na tentativa de esconder sua verdadeira identidade.
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“Ela estava com um documento falso. Um documento brasileiro, porém falso, de identidade diversa da dela”, explicou o delegado.
De acordo com Victor Hugo, as autoridades identificaram sinais de que a foragida havia realizado procedimentos para modificar a aparência. Fotografias feitas durante a prisão mostram a mulher com curativos no rosto, indicando que algumas intervenções poderiam ter sido realizadas recentemente.
O delegado afirmou ainda que foram identificados mais de cinco procedimentos estéticos realizados por Angeliquinha durante o período em que permaneceu foragida.
Santa Cruz de la Sierra é conhecida pela oferta de procedimentos estéticos com custos mais baixos, característica que, segundo o delegado, pode fazer com que pessoas procuradas pela Justiça recorram à cidade para tentar modificar características físicas e dificultar o reconhecimento.
TENTOU ESCONDER IDENTIDADE
Durante a abordagem, Angeliquinha teria tentado sustentar uma identidade diferente da verdadeira ao apresentar o documento falso. A estratégia, porém, não impediu sua identificação.
Segundo o delegado, informações repassadas pelas autoridades brasileiras, aliadas à identificação facial, permitiram confirmar que a mulher detida era Angeliquinha.
A Polícia Civil de Mato Grosso trabalhava havia meses para localizar a foragida, que deixou o sistema prisional de Cuiabá em agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May.
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CONTINUAVA LÍDER DO CV
Segundo as investigações, mesmo após fugir do Brasil e se esconder na Bolívia, Angeliquinha manteve contato frequente com familiares e continuou exercendo influência sobre o Comando Vermelho à distância.
A polícia aponta que ela não deixou de enviar ordens e orientações para integrantes da facção mesmo durante o período em que permaneceu foragida. Dessa forma, segundo as investigações, Angeliquinha continuou exercendo a função de liderança do grupo criminoso mesmo estando escondida na Bolívia.
A influência exercida por Angeliquinha também é investigada no contexto da Operação Showdown, deflagrada em março para atingir o núcleo familiar ligado à organização criminosa.
A operação cumpriu 31 ordens judiciais, entre mandados de prisão e busca e apreensão, além de determinações para bloqueio de contas, apreensão de veículos e imóveis e suspensão de empresas.
De acordo com a investigação, o núcleo familiar teria movimentado mais de R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, utilizando empresas e outras atividades para movimentar e ocultar recursos supostamente provenientes de atividades criminosas.
Angeliquinha possui seis mandados de prisão e acumula mais de 260 anos em condenações, segundo informações relacionadas aos processos. Entre as condenações está uma pena de 99 anos e 11 meses pela participação nas mortes de quatro trabalhadores em Nova Monte Verde, em 2022, além de crimes relacionados à ocultação dos corpos e organização criminosa.
RETORNO PARA MATO GROSSO
Após a prisão na Bolívia, Angeliquinha deverá passar pelos procedimentos legais necessários antes de ser encaminhada de volta a Mato Grosso.
A transferência depende da atuação conjunta das autoridades brasileiras e bolivianas. Até o retorno ao Estado, ela permanecerá submetida aos trâmites previstos pelas autoridades do país onde foi localizada.
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