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ENDOMETRIOSE

Especialistas de MT falam sobre doença de Annita e importância do tratamento multidisciplinar

Cantora revelou esta semana que só teve o diagnóstico da endometriose após nove anos de dores durante relação sexual

REDAÇÃO

Reprodução

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A cantora Annita viralizou nas redes sociais ao contar que somente após nove anos de dores durante o ato sexual foi diagnosticada com endometriose, doença inflamatória provocada por células do endométrio, tecido que reveste o útero. Especialistas de Mato Grosso falam sobre os sintomas, método mais eficaz para o diagnóstico precoce e importância de uma equipe multidisciplinar para tratamento adequado da doença.

De acordo com a ginecologista e obstetra Giovana Fortunato, que é especialista em endometriose e infertilidade e docente da UFMT, a doença atinge uma a cada seis mulheres em período reprodutivo e tem maior chance de ocorrer se houver outros casos na família, o que sugere uma tendência genética. “Embora, normalmente, a endometriose seja diagnosticada entre 25 e 35 anos, a doença provavelmente começa já alguns meses após o início da primeira menstruação”, pontua.

Quanto aos sintomas, Giovana Fortunado, cita a dor em forma de cólica durante o período menstrual que pode incapacitar as mulheres de exercerem suas atividades habituais; dor durante as relações sexuais; dor e sangramento intestinais e urinários durante a menstruação e dificuldade de engravidar. “A infertilidade está presente em cerca de 40% das mulheres com endometriose”, alerta a especialista.

No caso da cantora Annita, o principal sintoma era dor na relação sexual. Foram nove anos até ela receber o diagnóstico da endometriose. O médico radiologista Eduardo De Lamare esclarece que, atualmente, o melhor exame para o diagnóstico da endometriose profunda é o chamado Ultrassom Transvaginal de Mapeamento de Endometriose.

Segundo o especialista, os exames de imagem específicos para um mapeamento completo da endometriose são a Ultrassonografia Transvaginal e a Ressonância Magnética, ambos com preparo intestinal, sendo que a associação destes exames na mesma data, propicia um aumento da sensibilidade e especificidade, ajudando na avaliação pré-operatória.

“O exame é realizado com o mesmo aparelho de uma ultrassonografia comum. No entanto, seu preparo envolve a limpeza do intestino. No exame, o médico irá analisar cuidadosamente todas as estruturas que podem ser afetadas pela endometriose, inclusive o intestino”.

Tratamento

Uma vez diagnosticada, a endometriose pode ser tratada de diferentes formas. O tratamento terapêutico, esclarece Dra. Giovana Fortunato, depende da idade, da gravidade dos sintomas e da doença, e se a mulher deseja ter filhos.

“O tratamento clínico habitualmente envolve a interrupção do ciclo menstrual. Para isso, são usadas pílulas anticoncepcionais de modo contínuo, ou seja, sem pausas para menstruar. Também podem ser usados progestagênios isolados, hormônios injetáveis, implantes ou DIU que libera progesterona”.

Este tipo de terapia, acrescenta a médica, alivia a maioria dos sintomas, mas não elimina os focos de endometriose ou as aderências causadas pela doença.

Ainda em relação ao tratamento clínico, Dra. Giovana orienta para mudança no estilo de vida e tratamento medicamentoso. “A mudança no estilo de vida engloba quatro pilares principais, são eles a alimentação, melhoria da qualidade de sono, manejo do estresse e prática de atividades físicas”.

Já o tratamento hormonal também não reverte as alterações anatômicas que já ocorreram. Considerados cada vez menos no tratamento da endometriose, este método impede os ovários de produzir estrogênio.

Cirurgia

De acordo com a Dra. Giovana Fortunato o tratamento cirúrgico é reservado para as pacientes que não conseguiram obter uma melhora significativa dos sintomas com as medicações e mudança do estilo de vida ou quando apresentam alguma contraindicação ao uso dos medicamentos, seja por efeitos colaterais, por riscos ao uso de hormônios ou pelo desejo de gravidez.

“A cirurgia para o tratamento da endometriose é feita através de técnicas minimamente invasivas, que inclui a videolaparoscopia e a cirurgia robótica. Como a endometriose pode ser desde mínima até muito avançada, a complexidade de cada cirurgia varia de paciente para paciente”.

A técnica de excisão completa das lesões, acrescenta a médica, exige um domínio técnico superior pelo cirurgião. “É preciso ter amplo conhecimento da anatomia da pelve, que é extremamente complexa. Isso irá permitir que a retirada completa das lesões de endometriose seja realizada de forma efetiva e com risco mínimo de complicações”.

Por se tratar de uma doença complexa e multissistêmica, a Dra. Giovana observa ser essencial o tratamento multidisciplinar, com atuação conjunta e harmônica dos profissionais envolvidos, garantindo assim os melhores resultados possíveis e benefícios para as pacientes.

 

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