O Brasil foi citado na mensagem do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, para comentar o que chamou de uma derrota da "onda ultra", em referência a derrotas da ultradireita.
Veja abaixo
Espanha
A "onda ultra" já "não cresce, desmorona", afirmou nesta quarta-feira o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, após o tsunami democrata que tirou dos republicanos de Donald Trump o controle do Congresso dos Estados Unidos.
"Ontem, a sociedade americana votou contra políticas que só empobrecem. Contra o ódio. Contra o machismo. Contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites", escreveu o líder espanhol no X.
"Aconteceu no Brasil. Acaba de acontecer nos EUA. E acontecerá em breve na Espanha. A onda ultra à qual pretendem subir a direita e a extrema direita na Espanha já não cresce: desmorona", acrescentou Sánchez.
O socialista disputará eleições gerais antecipadas em 29 de novembro. As pesquisas apontam uma vitória da direita, ainda que sem maioria absoluta, o que a obrigaria a contar com o apoio da ultradireita para formar governo.
Depois que o Parlamento derrubou um pacote de medidas contra a crise de acesso à moradia na Espanha, Sánchez antecipou as eleições legislativas para 29 de novembro, na esperança de conseguir capitalizar a indignação da população.
A campanha foi abalada na semana passada pela catástrofe ferroviária de Urda, no centro do país, que deixou pelo menos 69 mortos, o segundo grave acidente com trens de alta velocidade em menos de um ano no país.
China
A China afirmou que está "disposta a continuar trabalhando" com os Estados Unidos, após as eleições de meio de mandato, que afirmou ser uma questão interna do país.
"A China está disposta a continuar trabalhando com os EUA para manter e implementar o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado, fortalecer a comunicação, gerir adequadamente as divergências, ampliar a cooperação e construir uma relação sino-americana construtiva e estrategicamente estável, baseada nos princípios de respeito, justiça e reciprocidade", declarou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, durante uma coletiva de imprensa regular.
Irã
Os iranianos adotaram um tom desafiador, celebrando a rejeição ao presidente Donald Trump pelos eleitores americanos nas eleições de meio de mandato, enquanto muitos no Oriente Médio aguardavam para ver como os resultados poderiam afetar a guerra envolvendo o Irã.
Preocupações com a guerra - somadas à frustração com a alta dos preços dos combustíveis e de outros produtos nos EUA - ajudaram os democratas a conquistar o controle de ambas as casas do Congresso na votação de terça-feira, um duro revés para Trump e seu Partido Republicano.
O líder supremo do Irã afirmou que aqueles que acreditam que mudanças partidárias nos Estados Unidos podem alterar a hostilidade do país em relação à República Islâmica estão "gravemente enganados".
Em uma carta compartilhada em sua conta nas redes sociais, o aiatolá Mojtaba Khamenei - que não é visto em público desde o início da guerra, no final de fevereiro - declarou: "Se ainda existem aqueles que nutrem, ainda que minimamente, a esperança de uma mudança de comportamento ou de alterações partidárias e faccionais dentro do sistema de dominação, ou que imaginam ser possível dissuadir a hostilidade dos EUA contra a nação iraniana por meio de concessões, estão gravemente enganados".
A região, de modo geral, vive semanas de tensão diante da possibilidade de os EUA retomarem operações militares em larga escala contra o Irã, algo que não ocorre há quase dois meses. Negociações para evitar a retomada dos combates continuam, ao passo que outros aliados dos EUA na região instam Washington a não reiniciar um conflito que começou há mais de oito anos, abalou a economia global e devastou o Irã.
Segundo relatos, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, tem pressionado por mais ataques, enquanto Trump tem oscilado entre ameaçar com ofensivas de grande porte e defender a busca por um acordo.
O principal negociador do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, escreveu nesta quarta-feira, no X: "Os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem".
"Se o governo dos EUA trair a vontade de seu próprio povo para servir a financiadores e chantagistas internacionais, descobrirá que o nosso NÃO vem acompanhado de um pesadelo."
Apesar de acordos de cessar-fogo e de repetidos esforços diplomáticos, os confrontos militares persistem no sul do Irã e nas imediações do Estreito de Ormuz.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que os americanos enviaram uma mensagem clara, e advertiu Washington a não ignorá-la. Se os EUA continuarem a ignorar a realidade, disse o porta-voz, "as consequências desse grave erro de cálculo".
União Europeia
A principal diplomata da UE, Kaja Kallas, afirmou que espera que o novo Congresso dos EUA apoie a Ucrânia e intensifique a pressão sobre a Rússia, após os democratas terem superado os republicanos do presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato.
"Espero que o novo Congresso... continue apoiando a Ucrânia e, também, exercendo mais pressão sobre a Rússia", disse Kallas, acrescentando que a Europa e os Estados Unidos "são muito mais fortes juntos" ao pressionar Moscou a encerrar sua guerra.
Rússia
A Rússia espera que Donald Trump continue seus "esforços de pacificação" após as eleições de meio de mandato, informou o Kremlin nesta quarta-feira.
"O presidente Trump continua a exercer seus poderes. Esperamos sinceramente que ele também continue com seus esforços de pacificação", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ao jornalista russo Alexander Yunashev, em um vídeo publicado pelo repórter.
Reino Unido
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que a vitória contundente dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA é uma oportunidade para que o mundo se "una" em torno da resolução dos problemas do custo de vida.
"O presidente Trump aceitou os resultados, e acho que o mundo agora tem a oportunidade de se unir em torno do tema que está afetando a todos nós, que é o custo de vida", disse Burnham a jornalistas.
Burnham acrescentou que não será possível reduzir os preços até que a guerra dos Estados Unidos no Irã "seja resolvida".
França
A vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e o reconhecimento da derrota do campo republicano por Donald Trump é uma "notícia muito boa para a democracia americana", afirmou nesta quarta-feira o chanceler francês, Jean-Noël Barrot.
"Os resultados não são contestáveis nem estão sendo contestados. O próprio presidente dos Estados Unidos admitiu e reconheceu o desempenho excepcional dos candidatos democratas. É, portanto, uma notícia muito boa para a democracia americana", declarou Barrot.
"E uma demonstração a mais de que, em democracia, é o povo quem escreve a própria história e que ninguém, nem os algoritmos nem os interesses privados, pode fazê-lo em seu lugar", acrescentou o chefe da diplomacia francesa diante do Parlamento, durante uma sessão de controle do governo.
*Com informações de agências internacionais.
(Com Agência Estado)
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