O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirmou que o país cumpriu a promessa de trazer todos os reféns de volta. "Trouxemos todos de volta, até o último", disse a jornalistas no Parlamento, classificando a operação como "uma conquista extraordinária para o Estado de Israel".
A devolução do corpo de Gvili ocorreu no contexto da primeira fase do acordo de cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos, iniciado em 10 de outubro, com o objetivo de interromper os combates em Gaza. O Hamas declarou que a entrega demonstrou o "compromisso" do grupo com o acordo, que entrou em sua segunda fase no início deste mês.
A família de Gvili havia se manifestado publicamente contra o avanço da nova etapa do cessar-fogo antes da localização e devolução dos restos mortais do jovem. Em comunicado, as Forças Armadas israelenses informaram que representantes do Exército notificaram oficialmente os familiares de que Ran Gvili foi identificado e será enterrado em Israel. "Com isso, todos os reféns foram devolvidos da Faixa de Gaza ao Estado de Israel", afirmou a nota.
Imagens divulgadas pelos militares mostram o caixão coberto com a bandeira israelense, cercado por soldados que entoavam o hino nacional.
Gvili, de 24 anos, era policial da unidade de elite Yassam. Ele estava afastado por licença médica antes de uma cirurgia no ombro quando o Hamas lançou o ataque de 7 de outubro de 2023. Ainda assim, decidiu deixar sua casa, pegou sua arma pessoal e seguiu para o sul de Israel.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, afirmou que a identificação do corpo marca um momento histórico. "Após muitos anos difíceis, pela primeira vez desde 2014, não há cidadãos israelenses mantidos como reféns em Gaza. Uma nação inteira rezou e esperou por este momento", declarou.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, afirmou que a devolução do corpo confirma o cumprimento integral do acordo de cessar-fogo por parte do Hamas.
Autoridades israelenses haviam informado no domingo que forças militares realizavam buscas pelos restos mortais de Gvili em um cemitério no norte de Gaza. O anúncio ocorreu após pressão de enviados dos Estados Unidos para que Israel reabrisse a passagem de Rafah, ponto estratégico para a entrada de ajuda humanitária no território palestino.
Nesta segunda-feira, 26, Israel confirmou a reabertura parcial da passagem, permitindo apenas a travessia de pedestres em direção ao Egito. A medida faz parte da trégua mediada pelos americanos.
Apelidado de "Defensor de Alumim" por familiares e moradores do kibutz homônimo, Gvili foi morto em combate próximo à comunidade, e seu corpo levado para Gaza por integrantes do Hamas. Seus pais foram informados oficialmente da morte em janeiro de 2024.
"Ele correu para ajudar, para salvar pessoas, mesmo já estando ferido antes de 7 de outubro", disse o pai do jovem à AFP em dezembro. "Esse era o Rani: sempre o primeiro a ajudar e o primeiro a entrar em ação."
Em nota, o Fórum das Famílias de Reféns e Desaparecidos descreveu Gvili como "um verdadeiro amigo, amado por todos", destacando que ele "amava a vida" e tinha "valores profundos e uma presença poderosa, mas serena".
A guerra em Gaza começou após o ataque do Hamas a Israel, que deixou 1.221 mortos, segundo dados compilados pela AFP com base em números oficiais israelenses. A ofensiva israelense em resposta devastou grande parte do território palestino, já fragilizado por conflitos anteriores e pelo bloqueio imposto desde 2007.
De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, ao menos 71.660 pessoas morreram no território desde o início da guerra, números considerados confiáveis pela Organização das Nações Unidas (ONU).
*Com informações da Associated Press.
(Com Agência Estado)
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