Imagens de drone da emissora paraguaia Telefuturo mostraram Peña chegando ao complexo do Ministério Público em um veículo preto, escoltado por policiais. Ele vestia calça azul-marinho e camisa branca e não estava algemado.
Na sexta-feira, 6, promotores paraguaios ordenaram a prisão de Peña e do ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo como parte de uma investigação criminal por suposta quebra de confiança e outros delitos ligados ao colapso do Ueno Bank. Peña foi transferido para uma base militar no fim da sexta-feira, enquanto centenas de manifestantes se reuniam do lado de fora de sua residência.
A ordem de prisão foi emitida logo após o Senado destituir Peña do cargo por unanimidade. A decisão veio apenas três dias depois de reguladores terem assumido o controle do Ueno Bank, congelando o acesso de quase 3 milhões de clientes às contas e desencadeando uma crise política.
Peña foi substituído pelo vice-presidente Pedro Alliana, que começou a nomear um novo gabinete neste sábado. O Banco Central disse que 1,2 milhão de clientes do Ueno já receberam reembolso parcial ou integral de depósitos segurados, conforme a legislação paraguaia.
Parlamentares acusaram Peña de usar sua influência política para direcionar centenas de milhões de dólares em recursos públicos ao Ueno enquanto reguladores teriam ignorado empréstimos internos arriscados. Peña nega irregularidades.
A destituição de um aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marca a maior crise política no Paraguai em mais de uma década. O país, sem saída para o mar e com 6 milhões de habitantes, voltou ao regime democrático em 1989. Desde então, tem sido governado majoritariamente pelo conservador Partido Colorado.
Peña apresentou renúncia na quinta-feira, 5, mas o Congresso não a aceitou e levou adiante um julgamento de impeachment.
Em uma mensagem de despedida divulgada pouco antes de ser destituído na sexta-feira, Peña afirmou esperar que sua saída poupasse o Paraguai de novos danos.
"Não quero que minha presença seja causa de maior divisão ou instabilidade", escreveu. "Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu destino pessoal."
O maior sindicato de professores do Paraguai, com mais de 40 mil integrantes, planeja iniciar uma greve nacional por tempo indeterminado na segunda-feira, 9, para pressionar por proteção aos fundos públicos de pensão.
(Com Agência Estado)
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