O menino estava na garagem da família quando foi abordado, segundo a superintendente das Escolas Públicas de Columbia Heights, Zena Stenvik. Em entrevista coletiva na quarta-feira, 21, Zena contou que os agentes pediram para o menino bater na porta de casa para ver se havia mais alguém dentro da residência, "usando uma criança de 5 anos como isca", afirmou.
A superintendente disse que a família, que vive nos Estados Unidos desde 2024, possui um processo de asilo em andamento e não recebeu ordem para deixar o país. "Por que deter uma criança de 5 anos?", questionou Zena. "Você não pode me dizer que essa criança será classificada como um criminoso violento", disse.
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, disse em um comunicado que "o ICE não teve como alvo uma criança". Segundo ela, a Imigração e Alfândega estava conduzindo uma operação para prender o pai da criança, Adrian Alexander Conejo Arias, que, segundo Tricia, é do Equador e está ilegalmente nos EUA. Ele fugiu a pé, "abandonando seu filho", disse ela.
"Para a segurança da criança, um dos nossos agentes do ICE permaneceu com ela enquanto os outros agentes detiveram Conejo Arias", disse McLaughlin, acrescentando que os pais têm a opção de serem removidos com seus filhos ou de deixá-los com uma pessoa de sua escolha.
Zena afirmou que outro adulto que mora na casa estava do lado de fora quando o pai e o filho foram levados, mas os agentes não deixaram a criança com essa pessoa. Questionado se Conejo Arias havia pedido para manter seu filho com ele, o DHS não respondeu.
Pai e criança estão presos no Texas
O advogado da família, Marc Prokosch, afirmou que o menino e seu pai foram levados para uma prisão de imigração em Dilley, no Texas, e que ele presume que eles estejam sendo mantidos em uma cela familiar. "Estamos analisando nossas opções para ver se podemos libertá-los por meio de alguns mecanismos legais ou pressão moral", disse o advogado em uma coletiva de imprensa.
Durante uma visita na quinta-feira a Minneapolis, onde se reuniu com líderes locais, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, disse que ouviu a "história terrível" sobre o menino, mas depois soube que ele foi apenas detido, não preso.
"Bem, o que eles deveriam fazer? Devem deixar uma criança de cinco anos morrer congelada? Não devem prender um estrangeiro ilegal nos Estados Unidos da América?", disse Vance, destacando que ele é pai de uma criança de cinco anos.
Um advogado que visitou o centro de detenção de Dilley na semana passada disse que as condições estavam piores do que nunca. A consultora jurídica chefe da Children's Rights, Leecia Welch, visitou o local como parte de um processo judicial em andamento para garantir a segurança das crianças imigrantes sob custódia federal.
"As condições estavam piores do que nunca. O número de crianças havia disparado e um número significativo delas estava detido há mais de 100 dias", disse Leecia. Em dezembro, o governo reconheceu que cerca de 400 crianças enfrentaram detenção prolongada.
"Quase todas as crianças com quem conversamos estavam doentes - e parecia que havia uma epidemia de doenças circulando. As famílias relataram que seus filhos estavam desnutridos, extremamente doentes e sofrendo profundamente com a detenção prolongada", disse ela.
Minnesota se tornou um dos principais focos das operações de imigração realizadas por agências lideradas pelo DHS. O funcionário da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA Greg Bovino disse que os agentes de imigração fizeram cerca de 3 mil prisões em Minnesota nas últimas seis semanas.
A diretora de políticas do Centro de Direito do Imigrante de Minnesota, Julia Decker, disse que os defensores não têm como saber se os números de prisões e as descrições das pessoas detidas pelo governo são precisos.
O menino detido na terça-feira é o quarto aluno das Escolas Públicas de Columbia Heights nesta situação nas últimas semanas, disse Zena. Um estudante de 17 anos foi levado quando se dirigia à escola, e uma criança de 10 anos e um outro jovem de 17 anos também foram detidos, disse ela.
A professora da criança, Ella Sullivan, descreveu o menino como "gentil e amoroso". "Seus colegas sentem sua falta", disse ela. "E tudo o que quero é que ele esteja seguro e de volta aqui."
O distrito é composto por cinco escolas e cerca de 3,4 mil alunos do pré-escolar ao 12º ano, de acordo com seu site. A maioria dos alunos vem de famílias de imigrantes, de acordo com a superintendente. Ela disse que notaram uma queda na frequência nas últimas duas semanas, incluindo um dia em que cerca de um terço dos alunos faltou à escola.
Trump diz que há 'animais violentos' em Minnesota
O presidente dos Estado Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que o DHS e o ICE devem começar a falar sobre os "assassinos e outros criminosos que estão capturando e retirando do sistema". Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que os agentes estão "salvando muitas vidas inocentes" e que há milhares de animais violentos" só no Estado do Minnesota.
Trump pediu para que os órgãos mostrassem "os números, nomes e rostos dos criminosos violentos". "As pessoas começarão a apoiar os patriotas do ICE, em vez dos agitadores, anarquistas e provocadores altamente remunerados! Façam a América grande novamente", concluiu. (Com informações da Associated Press).
(Com Agência Estado)
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