"Não estamos recebendo nenhuma cooperação do Irã", disse Grossi à Bloomberg TV. Segundo ele, a interrupção das inspeções provoca perda de "memória institucional" e de continuidade no acompanhamento do programa, em um momento em que o país mantém grande quantidade de material e urânio altamente enriquecido. "Para ser muito franco, não vejo isso acontecendo tão cedo", afirmou sobre uma eventual retomada do acesso.
Grossi disse que esse cenário ajuda a explicar a decisão do Conselho de Governadores da AIEA de encaminhar o caso iraniano ao Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, a medida representa mais um sinal de "frustração" dos integrantes da agência com a falta de colaboração de Teerã após sucessivos pedidos para que o país reabrisse suas instalações aos inspetores.
O chefe da AIEA também confirmou sinais de movimentação em Pickaxe Mountain, complexo de túneis construído pelo Irã para proteger instalações de eventuais ataques. "Há algumas indicações de que existe movimento em torno desse canteiro de obras", afirmou. Ele ressaltou, porém, que a agência não tem informações concretas sobre atividades realizadas no local e nunca inspecionou o complexo.
Grossi afirmou que Pickaxe deverá ser visitado quando a AIEA recuperar acesso ao programa iraniano, assim como Fordow e Isfahan.
O diretor-geral ainda alertou que o aumento dos conflitos internacionais pode levar mais países a reconsiderar a opção por armas nucleares. Um mundo com 18 ou 25 Estados nuclearmente armados tornaria seu uso "100% garantido", disse. "Isso é algo que precisamos evitar a todo custo."
(Com Agência Estado)
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