O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) escolheu nesta quinta-feira (27) as advogadas Kamila Michiko Teischmann, Angélica Rodrigues Maciel Felizardo e Mara Yane Barros Samaniego para compor a lista tríplice destinada ao preenchimento de uma vaga de juíza-membro substituta do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT). Kamila foi a mais votada com 24 votos, seguida de Mara com 22 e Angélica, com 21 votos, fechou a lista.
Kamila é professora universitária e liderança na OAB/MT, com atuação destacada em direitos humanos, diversidade sexual e políticas sociais. Já Angélica é advogada dos Direitos de Família, Criminalista e vice-presidente da Comissão de Mulher Advogada. Por fim, Mara é liderança da OAB/MT e figura atuante em direitos humanos, igualdade de gênero e políticas institucionais da advocacia.
A vaga será aberta em outubro de 2026, com o fim do mandato do jurista Welder Queiroz dos Santos. As três escolhidas pelo TJMT serão encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisará os nomes antes da nomeação pelo presidente Lula.
A escolha ocorreu após o TJMT publicar, em junho, edital exclusivo para mulheres interessadas na formação da lista tríplice para a categoria jurista. Com a iniciativa, o TRE-MT voltará a ter uma advogada entre os integrantes do Pleno após 17 anos.
A última representante da advocacia a ocupar uma cadeira na Corte Eleitoral foi Maria Abadia Pereira de Souza Aguiar, que exerceu o cargo de juíza-membro substituta entre 2007 e 2009.
Antes dela, outras duas advogadas integraram o tribunal. Yolanda de Oliveira Ribeiro foi titular em 1973, enquanto Daisy Aparecida Tessaro atuou como juíza-membro substituta entre 1993 e 1995.
A votação ocorreu após quatro candidatas desistirem da disputa às vésperas da escolha. Ellen Marcele Barbosa Guedes Tambelini, Tatiane de Barros Ramalho, Hígara Huiane Carinhena Vandonide Moura e Rita de Cássia Ancelmo Bueno deixaram a disputa, reduzindo o número de candidatas de 23 para 19.
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"DISCRIMINAÇÃO QUALIFICADA"
As desistências provocaram questionamentos durante a sessão. Os desembargadores Rui Ramos e Orlando Perri se abstiveram de votar na formação da lista. Perri afirmou ter informações de que as candidatas teriam sido "convidadas a desistir" e sugeriu a abertura de uma investigação para apurar o episódio. O presidente do TJMT, José Zuquim Nogueira, afirmou que jamais conduziria uma eleição viciada e, apesar de ter afiormado que acolheria a sugestão de Perri para para um procedimento, declinou da ideia e encerrou a questão.
Já a presidente do TRE-MT. Desembargadora Serly Marcondes Alves, sem citar nomes, destacou que a causa feminista tem que ser uma causa dos gestores públicos e sugeriu que o repúdio a desistências tem vieses e que pode, inclusive, ser uma “discriminação qualificada”. Ela reforçou que desistências de candidatos já ocorreram em outras escolhas de listas tríplices e que essas decisões anteriores nunca foram questionadas.
Com a definição da lista tríplice, os nomes de Kamila Michiko Teischmann, Angélica Rodrigues Maciel Felizardo e Mara Yane Barros Samaniego seguem agora para análise do TSE. Após essa etapa, caberá ao presidente Lula escolher uma das três para ocupar a vaga de juíza-membro substituta do TRE-MT.
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