Justiça Quarta-feira, 29 de Junho de 2022, 18:00 - A | A

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ALÍVIO PARA MÃE

Quase 15 anos depois, produtor que matou Katherine e Diego em Poconé enfrenta júri nesta 5ª

Ferida de Rosinéia Guimarães, que convive há tanto tempo com a impunidade, pode enfim se fechar nos corredores do Fórum de Cuiabá, na manhã do dia 30

RAYNNA NICOLAS
Da Redação

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Rememorando a canção atemporal de Raul Seixas, 'Prelúdio', a advogada Rosinéia Guimarães lembra com carinho o sonho do filho, Diego Bittencourt: ver um mundo com mais paz. O sonho, entretanto, foi interrompido em 2007, quando o menino foi atropelado e morto, junto da irmã, Katherine Guimarães, pelo produtor rural Celzair Santana. Quase 15 anos depois, um dos sonhos da mãe talvez seja realizado, o de ver, finalmente, a justiça sendo feita. Nesta quinta-feira (30), após sucessivos adiamentos, Celzair deve enfrentar o Tribunal do Júri do Fórum de Cuiabá. 

"Um sonho sonhado sozinho, é um sonho. Esse sonho, primeiro, era o sonho do Diego, para que as pessoas tivessem mais amor, união e que o mundo tivesse mais paz. Esse sonho, ele não conseguiu realizar", lamentou a mãe ao HNT. 

Mais do que justiça pelos próprios filhos, Rosinéia encara o julgamento como a esperança de que as pessoas se conscientizem que, assim como seus filhos, outras crianças podem morrer em decorrência da imprudência no trânsito. No dia do acidente, em Poconé, Celzair estava embriagado. 

LEIA MAIS: Enlutada há quase 15 anos, mãe comemora decisão que não permite mais adiamento de júri

"Na verdade, não é pela Katherine e pelo Diego, porque eles não voltam, mas é por todas as crianças que estão por aí (...) Eu acredito que se houver o júri realmente e ele sair de lá com uma punição, vai servir de lição para que as pessoas entendam que álcool e volante não combinam", disse. 

O julgamento também marca um desfecho para a mãe que travou árduas batalhas durante mais de uma década. Mesmo abalada e sem muitos recursos, Rosinéia se formou em Direito após a morte dos filhos e atingiu o grau de mestre para lutar por justiça. Durante todo esse tempo, entretanto, ela teve que continuar convivendo com a dor da impunidade. 

"A cada movimentação do processo é lembrar tudo de novo e pior porque quando você lembra tudo de novo, você lembra que está impune, essa é a pior parte do que lembrar. Se tivesse uma justiça... Mas lembrar sabendo da injustiça, aí dói dobrado", comentou. 

A ferida de conviver com tantos anos de impunidade, por outro lado, pode, enfim, fechar-se nos corredores do Fórum de Cuiabá, na manhã do dia 30. Para Rosinéia, o sentimento talvez seja de ela mesma deixar uma prisão. 

"Eu vou conseguir seguir com a minha vida, porque parece que eu fico presa. Na verdade, ele está livre e eu que estou presa", declarou. 

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Malu 30/06/2022

Infelizmente essas notícias vemos acontecer todos os dias. E a justiça não anda como deveria pra tirar das ruas pessoas que praticaram e continuam praticando absurdos como este. Pois sabem da impunidade e da morosidade da ação da justica. E claro principalmente se o praticante da ação ruim tiver muitos recursos financeiros. Mas, a justiça "disque" é cega...rs.

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