O desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), autorizou a instauração de inquérito policial para investigar a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), por suspeitas de crimes contra a administração pública, incluindo peculato, fraude administrativa e manipulação indevida de sistemas no Departamento de Água e Esgoto do município (DAE/VG).
A decisão, da última quinta-feira (29), atende a pedido do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO), que apontou a existência de indícios suficientes para abertura de investigação formal. O magistrado determinou o envio dos autos à autoridade policial vinculada ao núcleo para realização de diligências, com garantia de sigilo e celeridade na apuração.
As suspeitas começaram com um Auto de Investigação Preliminar instaurado pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) após denúncia apresentada pelo perito computacional Luiz Felipe Camargo de Pereira, contratado pelo próprio DAE/VG, para auditar os sistemas da autarquia. Durante o trabalho, ele identificou uma série de inconsistências, como divergências entre backups, incongruências em dados de faturamento e registros atípicos de corte e religação de água.
Os dados indicariam a possível existência de “religações fantasmas”, mecanismo que poderia ter sido utilizado para justificar pagamentos indevidos de produtividade a servidores, gerando potencial desvio de recursos públicos.
O perito afirmou ainda que as irregularidades foram comunicadas à Controladoria Interna e à direção do DAE, que inicialmente teriam iniciado apurações. No entanto, com a mudança na gestão, as investigações internas teriam sido interrompidas. Pereira também relatou que servidores possivelmente envolvidos foram promovidos, enquanto ele e outros colaboradores acabaram exonerados, o que classificou como retaliação.
Ainda de acordo com a denúncia, houve dificuldades para formalizar as comunicações, incluindo recusa no recebimento de documentos e registro de boletim de ocorrência contra o denunciante por suposta calúnia.
O material encaminhado à polícia inclui ainda áudios e documentos digitais que mencionam possíveis esquemas de corrupção interna, pagamentos irregulares envolvendo empreiteiras e acesso indevido a informações sigilosas. Em alguns desses registros, há referência de que a prefeita teria conhecimento das irregularidades investigadas.
“Com essas considerações, a instauração de autorizo inquérito policial em face de Flávia Petersen Moretti, Prefeita Municipal de Várzea Grande, para apuração de eventual prática de ilícitos, devendo a autoridade policial assegurar o sigilo necessário à elucidação dos fatos ou exigido pelo interesse da sociedade”, destacou Perri.
Com a decisão, a investigação passa a tramitar sob supervisão do NACO, que deverá conduzir diligências como perícias técnicas, análise de logs de sistemas, degravação de áudios, oitivas de testemunhas e requisição de documentos para aprofundar a apuração dos fatos.
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