No documento, ao qual o Estadão teve acesso, as equipes expressam "insatisfação e profunda preocupação" com a atual condução das negociações comerciais, a gestão dos contratos de transmissão e a governança dos recursos financeiros do bloco.
Os signatários elencam 11 "pontos críticos" sobre os quais exigem esclarecimentos e retificações. Eles dizem haver falhas na gestão dos contratos de transmissão, desvalorização da Série B como produto, depreciação do valor das cotas, falta de transparência nas negociações, riscos à sustentabilidade financeira dos times que disputam a competição.
Também afirmam existir conflito de interesses envolvendo investidores da FFU, a LiveMode e a CazéTV, da qual a empresa de mídia e marketing esportivo é sócia.
Segundo os clubes, essa parceria "gera dúvidas sobre a imparcialidade das decisões e a real defesa dos interesses coletivos". Eles dizem que esse arranjo teria contribuído para um desgaste institucional na relação com o Grupo Globo.
O texto é assinado por dirigentes de América-MG, Athletic, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário-PR, Ponte Preta, Sport e Vila Nova.
Entre os times da Série B, só não assinam o documento Náutico e São Bernardo, justamente os dois clubes que não pertencem à FFU nem à Libra e decidiram negociar fora do bloco. Eles negociaram com a Globo seus direitos de transmissão com intermediação da CBF por entenderem que poderiam obter uma negociação melhor à parte.
No texto, os clubes afirmam que há um "descompasso alarmante" entre as promessas feitas no lançamento do projeto de liga e a realidade atual. A principal queixa diz respeito ao que classificam como "desvalorização institucional da Série B", que está, na avaliação dos dirigentes desses times, sendo tratada como um produto secundário em relação à Série A, com concentração desproporcional de esforços comerciais e de marketing na elite do futebol brasileiro.
Segundo os signatários, essa estratégia resultou na depreciação das cotas de transmissão e patrocínio, com valores considerados abaixo do potencial de mercado e da relevância histórica dos clubes envolvidos. O cenário é visto com preocupação diante do crescimento da indústria do futebol em outras ligas e mercados.
"O produto que oferecemos ao mercado é robusto, possui torcidas nacionais e alta competitividade, mas a atual postura da liderança trata a segunda divisão como um subproduto acessório, falhando em vender a relevância real da competição para o mercado publicitário e de mídia", argumentam.
O documento destaca a ausência de previsibilidade orçamentária e a inconsistência no cronograma de repasses. Os clubes afirmam não saber com antecedência nem os valores exatos que receberão nem as datas dos pagamentos, o que compromete o planejamento financeiro, a montagem de elencos e o cumprimento de obrigações trabalhistas e tributárias.
Os clubes alertam para um desequilíbrio na alocação de recursos dentro do bloco, que poderia, eles entendem, ferir o princípio da isonomia e afetar diretamente a competitividade esportiva da Série B.
(Com Agência Estado)
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