No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 estava em 10,375%, de 10,352% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2026, em 10,67%, de 10,56% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2027 rompia os 11%, fechando aos 11,02%, de 10,88% ontem. O DI para janeiro de 2029 tinha taxa de 11,50% (de 11,37%).
O comportamento das taxas tem elementos externos e internos de busca de proteção do investidor contra o risco prefixado. No Brasil, há crescimento do ceticismo quanto à continuidade dos cortes da Selic, com a curva nesta tarde precificando apenas 25% de chance de queda de 25 pontos-base na taxa no Copom de junho, contra 75% de probabilidade de manutenção. Para o fim de 2024, a curva projetava taxa de 10,55%, ou seja, até um pouco acima do nível atual de 10,50%.
O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, afirma que o ambiente da política monetária ficou muito conturbado após o Copom e as tentativas do Banco Central de corrigir os ruídos de comunicação gerados pela divergência dos votos, o que favorece posições de cautela. "A discussão agora é se o ciclo terminou ou vamos ter mais uma redução", disse.
Borsoi cita ainda que a entrevista de Campos Neto teve um "tom crítico e um pouco pesado", destacando por exemplo o trecho em que o presidente do BC diz que "o mais importante é saber dizer não". "Vão vir várias ideias e propostas que não são nem do interesse da sociedade e nem do BC. Às vezes é preciso dizer não para o Executivo. Às vezes, para o Legislativo. Que tenha a firmeza de dizer não, que tenha a capacidade de explicar a opinião e que passe transparência ao longo do tempo. Mas a capacidade de dizer não é crucial", afirmou Campos Neto.
Em meio às suspeições levantadas contra os diretores que votaram pela redução de 50 pontos-base, Campos Neto voltou a reforçar o caráter técnico do Copom e a necessidade de mudança no ritmo dada a desancoragem das expectativas. Mas evitou qualquer sinalização futura. "Não posso adiantar novos cortes. Precisamos de tempo, serenidade e calma para saber como as variáveis vão se desenrolar."
Além dos sinais dos diretores ao longo da semana, hoje pesaram ainda as preocupações com a trajetória das expectativas de inflação, que vêm se afastando da meta de 3%. "Vejo algum temor sobre o que pode trazer o Boletim Focus na segunda-feira, dado o forte movimento de revisão para cima de inflação e juros", comenta Borsoi. Nesta sexta, o Santander Brasil informou ter elevado suas estimativas para a Selic de 9% para 9,75% em 2024 e de 8% para 9% em 2025.
No exterior, os rendimentos voltaram a avançar, dessa vez com a fala da diretora do Federal Reserve Michelle Bowman, de que continua disposta a retomar altas de juros caso os dados indiquem que o progresso na inflação estagnou ou reverteu. A taxa da T-Note de dez anos voltou a superar 4,40%.
(Com Agência Estado)
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