Pela manhã nesta quarta-feira, a divisa chegou a romper o piso de R$ 5,15 e registrou mínima de R$ 5,1481, mas moderou o ritmo de queda ao longo da tarde em sintonia com o exterior. Investidores ajustaram posições na segunda etapa de negócios à espera que Donald Trump reitere em pronunciamento à noite (22 horas, horário de Brasília) a mensagem de que a guerra está perto do fim.
No fim da sessão, o dólar à vista recuava 0,42%, a R$ 5,1566 - menor valor de fechamento desde 27 de fevereiro (R$ 5,1340), véspera dos ataques conjuntos de EUA e Israel ao Irã. Com o tombo na terça e na quarta-feira, a moeda norte-americana já acumula desvalorização de 1,62% na semana. No ano, o dólar cai 6,06% em relação ao real, que apresenta o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas, incluindo moedas fortes e emergentes.
"O mercado está comprando a ideia de que a guerra pode terminar em breve com as últimas declarações de Trump, o que trouxe uma recuperação dos ativos de risco, beneficiando o real", afirma o head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, para quem há certo "exagero" no otimismo dos investidores, dado que Trump exibe um comportamento errático e houve aumento de tropas e aeronaves americanas no Oriente Médio.
A arrancada dos ativos de risco pela manhã se deu na esteira de nova declaração de Trump de que a guerra no Irã pode terminar em duas ou três semanas - prazo para que os EUA atinjam seus objetivos de impedir o desenvolvimento de armas atômicas e a fabricação de mísseis balísticos pelo Irã.
Pela manhã, o republicano disse que Teerã solicitou um acordo de cessar-fogo, mas que os EUA condicionaram qualquer entendimento à reabertura do Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã negou ter pedido um cessar-fogo e rejeitou a possibilidade de uma reabertura de Ormuz nas condições sugeridas pelos EUA.
Os preços do petróleo recuaram pelo segundo dia consecutivo, mas de forma mais modesta, mantendo-se acima da marca de US$ 100 o barril. O contrato do WTI para maio fechou em baixa de 1,24% (US$ 1,26), a US$ 100,12 o barril. Já o Brent para junho - referência para o mercado interno - caiu 2,70%, a US$ 101,16 o barril.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em baixa ao longo do dia e recuava cerca de 0,40% no fim da tarde, ao redor dos 99,600 pontos, após mínima aos 99,298 pontos. Entre as moedas emergentes, destaque para os ganhos de mais de 1% do peso colombiano e do rublo russo frente ao dólar.
Para Viotto, da EQI, caso o conflito no Oriente Médio seja de fato encerrado nas próximas semanas, o dólar tende a recuar rapidamente e pode até romper o piso de R$ 5,00. Além da retomada do apetite de investidores estrangeiros por ativos emergentes, o real pode se beneficiar de sinais reiterados de que a oposição tem chances de vencer a corrida presidencial.
"O mercado vê a vitória da oposição como algo favorável para os ativos domésticos, por conta da questão fiscal. Se o ambiente lá fora realmente melhorar, eu imagino que o dólar tende a ceder bastante no curto prazo", afirma Viotto, que ressalta os resultados das pesquisas eleitorais recentes, que mostraram empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno.
À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total foi positivo em US$ 1,597 bilhão na semana passada (23 a 27 de março), sustentado pelo comércio exterior (US$ 1,495 bilhão). Houve ainda entrada líquida de US$ 101 milhões pelo canal financeiro, que reúne investimentos em carteira.
Apesar do bom resultado na semana passada, o saldo total em março foi negativo em US$ 3,127 bilhões, em razão de saídas líquidas de US$ 9,788 bilhões pelo canal financeiro, reflexo do retraimento dos investidores estrangeiros com a guerra no Oriente Médio. No ano, o fluxo total ainda é positivo, em US$ 7,329 bilhões.
(Com Agência Estado)
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