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Economia Terça-feira, 28 de Abril de 2026, 17:31 - A | A

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Terça-feira, 28 de Abril de 2026, 17h:31 - A | A

Taxas de juros zeram alta e fecham praticamente estáveis, apesar de aumento do petróleo

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Em uma sessão volátil e de difícil leitura por agentes de mercado, os juros futuros deixaram o terreno positivo na segunda etapa do pregão, em um primeiro momento reduzindo o ritmo de alta e, depois fechando em relativa estabilidade, mesmo com avanço de cerca de 3% nas cotações do petróleo. Segundo agentes, o movimento parece ter refletido, primeiramente, relatos de que o Irã estaria prestes a apresentar uma proposta para terminar a guerra, mas também pode representar uma reponderação do IPCA-15 abaixo do previsto, assim como zeragem de risco e ajustes de posições no final do mês.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,133% no ajuste anterior a 14,115%. O DI para janeiro e 2029 fechou em 13,58%, vindo de 13,575% no ajuste de segunda. O DI para janeiro de 2031 cedeu de 13,594% para 13,585%.

Publicado na abertura dos negócios pelo IBGE, o IPCA-15 acelerou de 0,44% em março a 0,89% em abril, maior taxa para o mês desde 2022, quando o indicador avançou 1,73%. O dado, embora tenha vindo ligeiramente aquém do piso das estimativas do Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, (0,90%), trouxe alta dos núcleos, da difusão e dos bens industriais, dinâmica que justificou posições defensivas no mercado de renda fixa pela manhã.

Principal determinante das taxas futuras desde a eclosão do conflito no Oriente Médio, os contratos futuros de petróleo atuaram como outra influência para cima nos DIs nesta terça-feira, ao menos na primeira etapa da sessão. O contrato para julho do Brent, que serve de referência para a Petrobras, fechou com alta de 2,66%, a US$ 104,40 o barril, diante da continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz e percepção de que o impasse nas negociações entre Washington e Teerã persiste.

Ao longo da tarde, porém, a alta das taxas futuras começou a arrefecer em todos os vencimentos, mesmo com o petróleo subindo em igual ritmo. Por isso, um economista de uma tesouraria avalia que o mercado pode ter feito uma segunda avaliação do IPCA-15, que veio com dados qualitativos pouco animadores, mas não tão negativos como a abertura da curva indicava.

"A composição dele até veio ruinzinha, mas o dado surpreendeu bastante pra baixo e a curva pré já estava abrindo muito nos últimos dias", afirmou o profissional à Broadcast. "A verdade é que o pré estava muito ruim para o IPCA-15 que foi realizado. Acho que estava errado antes e depois a curva se ajustou", disse.

Estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz aponta que a decisão dos Emirados Árabes Unidos, que deixaram a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e o grupo com aliados (Opep+), tem viés desinflacionário globalmente, mas pondera que as cotações da commodity energética pouco reagiram à notícia. Já sobre a inflação, Cruz avalia que os preços ao consumidor no Brasil, ao menos por ora, foram os que menos mostraram impactos mais severos do choque de oferta mundial, porque o governo federal agiu rápido para mitigar os efeitos da disparada do óleo.

As companhias aéreas têm boa parte de seus custos relacionadas ao querosene de aviação e essa pressão irá aparecer na inflação, diz o estrategista, mas a situação no Brasil não deve chegar perto do choque ocorrido na Ásia e Europa, em que organismos oficiais como a União Europeia já recomendam mais dias de home office e menos viagens aéreas em meio à crise de energia.

Diante do quadro um pouco mais controlado por aqui, o estrategista-chefe da RB aponta que participantes do mercado voltam a discutir se, e em que momento, o Banco Central deve acelerar o ritmo de cortes da Selic. Para a reunião de quarta-feira, 29, do Copom, o mercado de opções digitais negociadas na B3 precifica 93,5% de chance de outra redução de 0,25 ponto dos juros.

(Com Agência Estado)

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