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Economia Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 16:30 - A | A

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Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 16h:30 - A | A

Refino de minerais críticos avança lentamente fora da China, afirma presidente da Vale

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O avanço de projetos ligados a minerais críticos ainda não tem se traduzido no mesmo ritmo de investimentos, sobretudo por causa do gargalo no refino, disse nesta terça-feira, 4, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta. Segundo ele, é possível dividir a mineração em dois "mundos", o da mina, em que há vários projetos em andamento, ainda que com prazos mais longos de desenvolvimento, e o do downstream, voltado ao refino, etapa em que a China domina a maior parte da cadeia global.

Pimenta explicou que o refino tem avançado mais lentamente fora da China porque é uma atividade mais complexa e com margens mais apertadas do que a extração. Ele avalia que o país asiático atingiu um grau de eficiência difícil de replicar por concorrentes, o que torna complicado levantar projetos competitivos fora da China sem mecanismos comerciais adicionais.

Na sua visão, por este motivo o debate com governos - americano, brasileiro e europeu - tem se concentrado em como criar alternativas de oferta e reduzir dependências em minerais críticos.

"O que tem sido discutido é quase que uma bifurcação do mercado, onde você tem, por exemplo, um cliente final, que pode ser um país X, que não quer depender de um fornecedor específico, e ele cria um mecanismo comercial onde ele fala o seguinte, eu vou comprar aquele volume do Brasil, de um fornecedor brasileiro e eu vou dar uma condição de preço, um floor (piso) de preço, onde eu sempre vou te pagar pelo menos isso", disse Pimenta após painel em evento da S&P Global no Rio de Janeiro.

Segundo ele, desta maneira o desenvolvedor se sente confortável em colocar uma unidade, "porque ele está protegido, coisa que a commodity nunca te protege, cada dia é um preço, você dá uma proteção e você cria, então, um incentivo para o desenvolvimento". "Esse tipo de modelo, temos começado a ver esse debate avançando mais, vamos ver se ele vai ser no nível de escala suficiente para atender a demanda", afirmou.

O presidente da Vale também avaliou que a demanda por minerais críticos cresce com força, impulsionada por tecnologias da nova economia, como a eletrificação, e que muitos países não têm oferta interna, como os Estados Unidos. Pimenta informou que o governo brasileiro tem trabalhado nesse sentido. "O governo tem trabalhado, temos ouvido, tem participado de alguns debates. No sentido de colocar uma política que possa atender a essas necessidades e o Brasil possa se posicionar como um ofertante nesse mercado", destacou.

Sobre o papel da Vale, Pimenta afirmou que a companhia seguirá focada no upstream, buscando fornecer minério e concentrados de forma competitiva, e que não vê alinhamento de conhecimento para avançar diretamente no downstream.

"O meu trabalho é ser o melhor operador de upstream possível para poder dar o minério, seja concentrado, seja um produto estabelecido. No preço e na forma mais competitiva possível. E é isso que nós sabemos fazer", disse Pimenta.

Mega hubs

A estratégia, segundo Pimenta, é atuar como facilitadora de cadeias eficientes por meio de parcerias, e citou o conceito de "mega hubs" para produzir insumos como HBI (Hot Briquetted Iron ou ferro-esponja), com apoio de parceiros e, potencialmente, consumidores finais. De acordo com o executivo, o desenvolvimento de uma solução de HBI a partir de gás natural no Oriente Médio, onde a empresa já tem operação em Omã, continua em avaliação, mas desacelerou por causa da guerra.

Ainda assim, ressaltou, a região é estruturalmente atrativa pelo gás barato e pela logística, e a discussão na Vale também inclui alternativas como hidrogênio, com possibilidade de o Brasil entrar nessa agenda. Para ele, apesar de oscilações conjunturais, a descarbonização "é um caminho sem volta" e representa uma oportunidade estratégica para a Vale, que se beneficia por produzir minério de alto teor.

(Com Agência Estado)

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