Para o economista, fora de uma crise, Warsh tende a ser amplamente ignorado pelos pares e pode acabar como "um dos presidentes menos influentes da história do Fed".
A avaliação é que a maioria dos dirigentes simplesmente seguiria seu próprio caminho, ignorando o chefe do BC de forma silenciosa. Mesmo que haja coordenação entre indicados de Donald Trump no conselho, isso não bastaria para alterar a condução atual da política monetária.
O problema, segundo o economista, surgiria em um cenário de forte turbulência, quando o Fed precisasse de liderança clara e capacidade de ação rápida - como ocorreu sob Ben Bernanke na crise financeira de 2008 ou, mais recentemente, com Jerome Powell ao resistir a pressões políticas, diz.
Krugman sustenta que a maior ameaça da nomeação está menos nos juros e mais na regulação financeira. Para ele, Warsh, ao lado da vice-presidente de supervisão Michelle Bowman, poderia "esvaziar" o papel do Fed como regulador, enfraquecendo salvaguardas construídas após a crise global.
O economista rejeita ainda o rótulo de "hawkish" atribuído a Warsh, descrevendo-o como um ator essencialmente político, favorável a aperto monetário sob governos democratas e a juros baixos quando republicanos estão no poder.
O Nobel recorda que, no período pós-2008, Warsh se opôs de forma contundente aos estímulos do Fed, com argumentos que se mostraram equivocados, sem jamais reconhecer erros ou rever posições.
Para Krugman, a ascensão de Warsh se explica por conexões pessoais, habilidade de autopromoção, lealdade partidária e pelo fato de Trump considerá-lo adequado ao papel.
O episódio, conclui, representa um momento constrangedor para o Fed e evidencia como a polarização política nos EUA alcançou até instituições tradicionalmente protegidas.
(Com Agência Estado)
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