Junto a isso, profissionais de renda variável destacam ações com múltiplo Preço por Lucro (P/L) ainda descontado, abaixo da média histórica e da média global, o que pode contribuir para o retorno do fluxo estrangeiro.
A leitura de que o Copom não sacramentou o fim dos cortes de juros vem ganhando força desde quinta, conforme o IPCA-15 de junho abaixo do esperado e com melhor composição. Em coletiva do Relatório de Política Monetária (RPM), o colegiado também reiterou que não quer dar guidance em um momento de tanta incerteza - portanto, em um discurso menos duro do que operadores temiam.
O Ibovespa fechou em alta de 0,76%, aos 173.295,14 pontos, avançando 2,95% na semana e 7,55% no ano, além de reduzir a queda no mês de junho para 0,28%. O giro financeiro somou R$ 23,7 bilhões, quando a referência da B3 chegou a cair 0,50% na mínima, aos 171.123,94 pontos, pela manhã e a subir 1,15% na máxima, aos 173.964,94 pontos, à tarde.
Depois de renovar sucessivas máximas, principalmente com a força de grandes bancos, os ganhos da Bolsa brasileira acabaram limitados pela queda superior a 1% das ações da Petrobras, na esteira da commodity, e do setor de mineração e siderurgia, que ignorou a alta do minério de ferro.
Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, a performance positiva das ações - não só nesta sexta, como na semana - ocorre no entendimento de que a Bolsa brasileira está barata, com múltiplos atrativos, e isso ajuda a atrair fluxo estrangeiro.
Na mesma linha, a sócia advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, considera que a sinalização da Apple e da Microsoft de que podem continuar aumentando o preço de seus produtos, por causa da falta de chips de memória, e relatos de um possível adiamento do IPO da OpenAI fazem com que os mercados globais voltem a olhar para o Brasil como uma alternativa, após boom recente de busca por empresas de tecnologia.
"O Brasil é um ambiente um pouco mais estável, e mesmo no patamar atual de juros, a nossa Bolsa segue bastante descontada. Então vemos um retorno do investidor estrangeiro, olhando majoritariamente para bancos hoje sexta-feira", afirma Centeno.
Perri cita ainda que houve ajuste para baixo da curva de juros, que ajuda em termos da "taxa de desconto" - ou seja, o retorno mínimo exigido pelo investidor para justificar a compra de determinada ação. "O IPCA-15 de junho também mostrou melhora e, junto com o fato de o preço do petróleo Brent voltar ao nível pré-conflito entre EUA e Irã, o impacto deve ser desinflacionário, destravando o fluxo para mercados emergentes."
O petróleo fechou em queda e acumulou recuo de quase 10% na semana, com a normalização do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz e o aumento da oferta de petróleo iraniano no mercado global.
Nesta sexta-feira, houve ainda notícia de que os EUA, Israel e o Líbano chegaram a uma estrutura de acordo para encerrar o conflito entre israelenses e o Hezbollah. Ainda assim, o presidente Donald Trump voltou a reprimir os recentes ataques do Irã no Estreito de Ormuz.
No âmbito doméstico, a analista de renda variável da Rico, Bruna Sene, lembra que além do IPCA-15 de junho ter vindo abaixo do esperado, a comunicação do BC manteve aberta a possibilidade de retomada do ciclo de afrouxamento monetário, ainda que de forma dependente de dados.
No cenário micro, destaque para alta em bloco do setor financeiro - líquido e que costuma chamar a atenção do investidor estrangeiro, puxado por Bradesco ON (+1,82%). A ponta positiva do Ibovespa, contudo, seguiu concentrada em ações cíclicas, como Totvs (+5,63%) e Lojas Renner (+3,10%).
(Com Agência Estado)
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