Por se tratar de MP, a revogação da chamada "taxa das blusinhas" está vigente desde sua publicação. O Congresso Nacional tem até o início de setembro para analisar a medida, que, se aprovada, será definitivamente convertida em lei.
Para a entidade mineira, a medida amplia a concorrência com produtos importados em um momento de maior pressão sobre a indústria brasileira, que já enfrenta os impactos das tarifas impostas pelos EUA às exportações nacionais. "Os reflexos da revogação já aparecem nos indicadores: em junho, as importações de produtos de baixo valor alcançaram R$ 2,6 bilhões, crescimento superior a 100% em relação ao mesmo mês de 2025", diz a federação.
Segundo o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, a revogação da chamada "taxa das blusinhas" foi uma medida de "caráter eleitoreiro" e ampliou a vulnerabilidade do setor produtivo. "A indústria não busca protecionismo. O que se defende é isonomia nas condições de competição. Enquanto os produtos importados, especialmente os chineses, chegam ao Brasil sem enfrentar o chamado Custo Brasil, a indústria nacional continua arcando com uma elevada carga tributária e entraves estruturais", afirma.
A Fiemg sustenta que a retirada da tributação facilita a entrada de mercadorias importadas, principalmente da China, que concorrem diretamente com a produção nacional por meio de preços mais baixos.
Na avaliação da federação, o cenário se torna ainda mais preocupante porque a indústria enfrenta dois movimentos simultâneos que comprometem sua competitividade. Ao mesmo tempo em que perde espaço no mercado norte-americano em razão do tarifaço, passa a conviver com uma concorrência ainda mais intensa no mercado interno. "É uma combinação particularmente desfavorável, porque comprime a indústria tanto no mercado externo quanto no doméstico", destaca Pio.
O economista ressalta que, além da retomada da tributação sobre as importações de pequeno valor, o País precisa avançar em medidas estruturais para aumentar a competitividade da produção nacional. Entre elas, estão a redução do Custo Brasil, a melhoria da infraestrutura logística e energética, o equilíbrio fiscal e a ampliação do acesso ao crédito. "O ideal é criar um ambiente econômico que permita uma competição equilibrada, reduzindo os custos enfrentados pela indústria brasileira", defende.
(Com Agência Estado)
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