"A queda mais forte do petróleo impacta o real no curtíssimo prazo. A moeda está devolvendo os ganhos recentes com a alta dos preços, uma vez que o Brasil é exportador líquido da commodity", afirma o diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, acrescentando que o real se destacou entre pares emergentes no mês passado.
A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz nos próximos dias, alimentada por declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, empurrou as cotações do petróleo para menos de US$ 80 o barril. O contrato do Brent para outubro, referência para a Petrobras, fechou em queda de 5,69%, a US$ 79,36.
Ao desmonte do chamado 'trade' do petróleo somaram-se sinais de perda de tração da candidatura do senador Flávio Bolsonaro em véspera de divulgação de pesquisas eleitorais, em especial da Genial/Quaest. Na segunda-feira, levantamento Nexus/BTG mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em empate técnico com Flávio em eventual segundo turno.
O candidato do PL reforçou nesta terça que gostaria de ter como vice a ex-presidente da Caixa Daniela Marques, do Republicanos, mas a legenda já optou pela neutralidade. Os partidos têm até 15 de agosto para registrar oficialmente as chapas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"Essa decisão do Republicanos de ficar neutro na eleição reforça a sensação do mercado de que Flávio vai para a disputa presidencial sem muito apoio", observa o estrategista Gustavo Cruz.
Fontes ouvidas pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) citam ainda como fator negativo para o real notícia apurada pelo portal Exame de que o governo brasileiro espera que os EUA adotem novas sanções diplomáticas contra o Brasil nos próximos dias, em resposta à decisão do Brasil de negar vistos a funcionários do governo norte-americano.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY rondou a estabilidade ao longo do dia, equilibrando-se entre o fortalecimento do euro e a queda do iene. Por volta das 17 horas, o Dollar Index marcava 99,878 pontos (-0,02%).
O diretor da Wagner Investimentos, José Raymundo Faria Junior, observa que o DXY "está perdendo" força e pode reverter a tendência gráfica de alta, o que beneficiaria o real. "Em todo caso, nas últimas semanas, o real está mais correlacionado com as commodities do que com o DXY", afirma Faria Junior.
O dólar avança 1,19% nos dois primeiros pregões de agosto, após desvalorização de 1,79% em julho. No ano, a moeda americana recua 6,52% frente ao real, que tem o segundo melhor desempenho entre as moedas mais líquidas, atrás apenas do peso colombiano, com ganhos de cerca de 15%.
(Com Agência Estado)
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