Declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a condução da política monetária e a divulgação de pesquisa da Genial/Quaest sobre a corrida presidencial tiveram papel secundário na formação da taxa de câmbio, que permanece mais atrelada ao comportamento do mercado global de moedas.
Afora uma alta pontual logo após a divulgação do relatório de emprego (payroll) nos EUA, quando tocou máxima a R$ 5,2040, o dólar operou em terreno negativo ao longo de toda a sessão. Com mínima de 5,1695, no fim da manhã, fechou em baixa de 0,18%, a R$ 5,1876, novamente no menor nível desde 28 de maio de 2024. O dólar recua 1,14% em fevereiro, após queda de 4,40% em janeiro. No ano, as perdas são de 5,49%.
"O payroll veio forte o suficiente para reduzir a convicção em cortes de juros rápidos nos EUA, o que ajuda a explicar porque o DXY não cede com força, mas também não decola. O dólar global fica travado", afirma o diretor de portfólio da Oryx Capital, Luiz Fioreze, para quem os ativos domésticos continuam a oferecer prêmio atraente para atrair capital externo, o que explica a alta da bolsa e do real. "Temos entrada para a renda variável e diferencial de juros que sustenta estratégias de carry".
Termômetro do comportamento do dólar ante uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY rondava a estabilidade ao longo da tarde, na casa dos 96,800 pontos. Destaque para os ganhos de cerca de 1% do iene, ainda sob o impacto da vitória do partido da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, nas eleições legislativas japonesas. Na semana, o Dollar Index cai cerca de 0,80%.
O payroll revelou geração de 130 mil empregos nos EUA em janeiro, bem acima da mediana de Projeções Broadcast sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, de 67 mil. A taxa de desemprego recuou de 4,4% em janeiro para 4,3%, e o salário médio por ora subiu 0,41%, acima das expectativas. Ferramenta de monitoramento do CME mostra que as apostas majoritárias para retomada de cortes de juros nos EUA migraram de março para junho.
Por aqui, Galípolo voltou a falar em "calibragem" da política monetária com o início de um ciclo de cortes de juros em março, conforme sinalizado no comunicado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em janeiro. Analistas avaliam que Galípolo busca conter apostas em um afrouxamento monetário expressivo, dado que as expectativas de inflação permanecem acima da meta.
"Embora não tenha tanto fluxo para renda fixa como tem para bolsa, eu não tenho dúvida de que o apelo do carry é muito forte, porque ainda temos juros muito elevados", afirma a economista-chefe da BuysideBrazil, Andrea Damico. "O Brasil é um dos mercados mais líquidos e profundos entre emergentes e se beneficia da rotação global de carteiras".
Pesquisa da Genial/Quaest mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera em todos os cenários na corrida presidencial. Houve, contudo, uma redução de cinco pontos porcentuais na diferença entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno. Foi o primeiro levantamento sem o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Operadores atribuíram as máximas do Ibovespa no início da tarde, na casa dos 190 mil pontos, à expectativa em torno da divulgação da pesquisa. O dólar até acelerou ligeiramente o ritmo de baixa, mas não chegou a se aproximar da mínima vista no fim da manhã. Ala relevante do mercado aposta que a oposição, uma vez vitoriosa, estaria disposta a promover um ajuste estrutural nas contas públicas, o que levaria a uma diminuição dos prêmios de risco.
(Com Agência Estado)
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.





