Além de aguardar sinais do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre eventual continuidade do ciclo de calibração da taxa básica no comunicado desta quarta à noite, que deve trazer um corte da taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, investidores assimilaram pesquisas sobre a corrida presidencial e a definição do candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
Com mínima de R$ 5,0989 e máxima de R$ 5,1342, o dólar à vista encerrou a R$ 5,1282 (-0,05%). Depois de recuo de 1,79% em julho, a moeda norte-americana acumula alta de 1,14% nos três primeiros pregões de agosto, sobretudo em razão do avanço de 0,86% na terça, quando ultrapassou R$ 5,13 e fechou no maior valor desde 13 de julho.
O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, afirma que a perspectiva de reeleição do atual governo sugerida pelas pesquisas eleitorais limita o fôlego do real. "O desafio fiscal é enorme e não se espera uma mudança da política econômica em caso de reeleição. A busca por hedge deve aumentar nos próximos meses", afirma.
Pesquisa Genial/Quaest mostrou estreitamento da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno, embora dentro da margem de erro. Lula oscilou de 45% para 44%, ao passo que o candidato do PL saltou de 37% para 39%. Sem conseguir atrair a ex-presidente da Caixa Daniella Marques para sua chapa, dada a neutralidade do Republicanos, Flávio anunciou nesta quarta pela manhã o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice.
"A escolha do vice de Flávio parece que não agradou muito o mercado, o que acabou limitando o movimento de queda do dólar. Há também um pouco de cautela com a espera pelo Copom", afirma o economista Ian Lopes, da Valor Investimentos.
Para o chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, a principal ameaça para o real são as eleições presidenciais, uma vez que os líderes nas pesquisas eleitorais não parecem seriamente comprometidos com a austeridade fiscal. "No entanto, os investidores recebem uma remuneração substancial para manter posições em real", afirma Turner, em nota.
Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava 0,15% por volta das 17h, aos 99,711 pontos, após mínima aos 99,628 pontos. Relatório ADP mostrou que o setor privado nos EUA criou 44 mil vagas em julho, abaixo das expectativas, de 75 mil. Investidores aguardam a divulgação do relatório de emprego (payroll) nesta sexta-feira, 7, para refinar as apostas para os próximos passos do Federal Reserve.
Após o tombo desta quarta, as cotações de petróleo apresentaram oscilações mais modestas. Embora os EUA tenham removido sanções aos iranianos, houve relatos de ataques no Oriente Médio. O contrato do Brent para outubro fechou em alta de 0,11%, a US$ 79,45 o barril, mas ainda cai dois dígitos na semana.
O Citi observa que as moedas latino-americanas têm acompanhado recentemente, em "grande parte", o comportamento dos preços do petróleo. "As oscilações nos termos de troca apoiam o desempenho do peso chileno e pesam sobre o real", afirma o banco, em relatório.
(Com Agência Estado)
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