Com mínima de R$ 5,1566, pela manhã, o dólar à vista terminou a sessão em queda de 0,86%, a R$ 5,1766 - pela primeira vez abaixo da linha de R$ 5,20 no fechamento após três pregões.
Apesar do refresco nesta quarta, a moeda norte-americana ainda sobe 1,83% na semana, acumulando valorização de 2,09% em agosto, após perdas de 1,79% em julho.
"Com o anúncio da recompra, o Tesouro americano está dizendo subliminarmente que não quer as taxas longas subindo, o que tirou força do dólar. Até o iene está se valorizando hoje", afirma o diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, lembrando que recentemente houve intervenção combinada de autoridades americanas e japonesas para tentar dar suporte à moeda japonesa.
O real exibiu um dos melhores desempenhos entre as divisas emergentes, recuperando parte das expressivas perdas recentes, atribuídas ao reposicionamento dos investidores estrangeiros, que reduziram a exposição a ativos domésticos por conta da proximidade das eleições presidenciais.
"Essa valorização do real é de curto prazo. Não acredito em apreciação do câmbio até a definição das eleições. Se Lula for reeleito, o dólar deve subir. Mas pode haver uma recuperação depois, em caso de anúncio de um ajuste fiscal", observa Weigt, acrescentando que uma vitória de um candidato da direita pode levar a uma apreciação expressiva do real.
Para os analistas Norman Liebke e Michael Pfister, do Commerzbank, o real deve seguir sob pressão até as eleições de outubro, o que levaria a taxa de câmbio para R$ 5,30, mas tende a se apreciar nos últimos dois meses do ano, amparado pela política monetária conservadora do Banco Central.
A expectativa é de apenas um corte adicional da taxa Selic em 2026, para 13,75%, o que mantém o juro real perto de 10%. "A taxa de câmbio deve estar em R$ 5,20, com a diminuição dos riscos políticos, e em R$ 4,80 no fim de 2027", afirmam os analistas.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava 0,87% no fim da tarde, para os 98,793 pontos, perto da mínima, de 98,770 pontos. As taxas dos Treasuries de 10 e 30 anos cederam, ao passo que o retorno do papel de dois anos, mais ligado às expectativas para os próximos passos do Fed, operou com viés de alta.
Na avaliação do economista Leonardo Costa, do ASA, a ata do encontro de política monetária do Fed em julho, quando três dirigentes votaram por uma alta da taxa básica americana, revela que a instituição segue preocupada com a inflação, em modo vigilante, mas que não há consenso para um aumento imediato dos juros.
"O Comitê continua majoritariamente em modo de espera, mas com uma ala 'hawkish' ainda significativa e pronta para defender novas altas", afirma Costa, ressaltando que o documento reflete avaliação anterior aos dados benignos de inflação da semana passada e não traz detalhes sobre os dissidentes no encontro do Fed de julho.
(Com Agência Estado)
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