Embora uma estratégia de "esperar para ver" permita a um banco central ganhar clareza à medida que a situação evolui, possibilitando uma resposta mais bem informada, riscos como o de desancoragem das expectativas de inflação podem justificar elevações de juros mais rápidas, alerta o BIS em boletim divulgado nesta quarta-feira.
Conhecido como o "banco central dos bancos centrais", o BIS pontua que os choques de oferta de petróleo induzidos pelo conflito no Irã atuaram como um choque global sobre a economia mundial, mas o impacto resultante sobre a inflação e o produto dependerá de fatores estruturais específicos e das condições iniciais de cada país, levando, portanto, a respostas de política monetária diferentes.
Para os bancos centrais de economias em que o choque desencadeia tanto pressões inflacionárias significativas quanto uma forte contração da atividade econômica, administrar o impacto do choque torna-se particularmente desafiador.
Em contraste, os bancos centrais de economias em que a atividade real permanece relativamente resiliente enfrentam um cenário mais favorável, pois uma resposta rápida de política monetária para conter as pressões inflacionárias envolve um trade-off menos custoso.
Em termos gerais, a resposta adequada de política monetária a picos nos preços de energia depende da natureza do choque - se decorre da demanda ou da oferta -, bem como de sua magnitude e persistência, ambas influenciadas por fatores estruturais e pelas condições iniciais.
A incerteza em torno da intensidade e da duração do choque complica ainda mais o desafio de política.
O BIS lembra que para as economias exportadoras de energia, preços mais elevados tendem a impulsionar a renda nacional por meio da melhora nos termos de troca, ao passo que
a valorização cambial, típica nesse caso, ameniza as pressões inflacionárias.
Em contrapartida, alterações nos termos de troca e a desvalorização cambial agravam o impacto do choque sobre os importadores de commodities.
(Com Agência Estado)
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