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Cuiabanália Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026, 16:43 - A | A

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CULTURA E ANCESTRALIDADE

Roda de capoeira ganha espaço permanente na Feira do Museu de História Natural de MT

Em agosto, mês do Dia do Capoeirista, Mestre Eron leva história, música, ancestralidade e tradição para a programação do Museu

DA REDAÇÃO

Reprodução

Roda de capoeira

O Museu de História Natural de Mato Grosso (MHNMT) ganha uma nova atração permanente em sua programação cultural. A partir da 11ª edição da Feira Permanente do Museu, a roda de capoeira passa a integrar o calendário, ao lado da já tradicional Roda de Choro do Coletivo Digoreste. A novidade chega justamente em agosto, mês em que é celebrado o Dia do Capoeirista, comemorado em 3 de agosto, em homenagem aos mestres e praticantes dessa manifestação que reúne luta, dança, música, esporte, expressão corporal e ancestralidade.

À frente da iniciativa está Mestre Eron Silva, um dos pioneiros da capoeira em Mato Grosso, que também estará presente na feira como artesão e feirante, comercializando instrumentos tradicionais confeccionados por ele, como berimbaus e caxixis. A proposta aproxima ainda mais a memória, a cultura e os saberes tradicionais do público que frequenta o Museu.

Além da roda permanente, o público terá a oportunidade de mergulhar na musicalidade da capoeira com a oficina “Percussão e Toques de Berimbau”, ministrada pelo próprio Mestre Eron.

A atividade será realizada no dia 23 de agosto, das 9h30 às 11h, no Museu de História Natural de Mato Grosso. A proposta é proporcionar uma experiência prática para quem deseja aprender os primeiros passos no universo da percussão e conhecer os principais toques do berimbau, seja começando do zero ou aperfeiçoando conhecimentos já adquiridos.

A oficina terá investimento de R$ 40,00 a inteira e R$ 20,00 a meia-entrada, além de cinco vagas gratuitas destinadas ao público em situação socioeconômica que se enquadre nos critérios da organização. A meia-entrada é concedida a estudantes, pessoas com deficiência, idosos e outros públicos, previstos em legislação As vagas são limitadas.

O Dia do Capoeirista homenageia mestres e praticantes que mantêm viva essa expressão cultural. Surgida como forma de resistência da população negra escravizada, a capoeira reúne luta, dança, música, esporte e ancestralidade. Hoje, é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

É dentro dessa perspectiva de preservação e valorização da memória que a roda permanente de capoeira e o artesanato passa a fazer parte da Feira do Museu.

MESTRE ERON

Com uma vida dedicada à capoeira, Eron Miguel Bezerra Silva, o Mestre Eron, é natural de Poxoréu (263 km de Cuiabá) e chegou na capital na década de 1970. Sua trajetória está diretamente ligada à consolidação da capoeira na capital mato-grossense, em um período em que a manifestação ainda buscava reconhecimento e espaços para sua prática.

Formado a partir dos ensinamentos de Mestre Edmundo, personagem importante na transmissão da capoeira em Cuiabá, Mestre Eron pertence a uma geração que ajudou a manter viva essa tradição e a formar novos praticantes. Ao lado de outros, como Mestre Sombra, participou da construção de uma história que atravessou décadas e gerações.

Nas décadas de 1970 e 1980, Eron já atuava na formação de novos capoeiristas. Em 1984, ministrava cursos regularmente na Casa da Cultura de Cuiabá, ampliando o acesso à prática e contribuindo para que a capoeira conquistasse novos espaços na cidade.

Eron também alcançou o universo esportivo. Registros de homenagens realizadas pelo Governo de Mato Grosso o apresentam como 1º Campeão Brasileiro de Capoeira, reconhecimento que evidencia sua atuação no cenário competitivo e sua importância para a história da modalidade no Estado.

SERVIÇO

A Feira Permanente do Museu reúne, aos domingos, das 9h às 17h, cultura, natureza e memória, com entrada gratuita. O público encontra gastronomia regional, artesanato, bingo, capoeira, roda de choro, atrações culturais, parque e atividades para toda a família.

O espaço da “Casa Dom Aquino” também oferece exposições permanentes, que reúne fósseis, vestígios arqueológicos e antropológicos relacionados à formação natural e humana de Mato Grosso, visitas guiadas, cafeteria, loja de artesanato indígena, lago com carpas e jardins históricos.

Gerido pelo Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais (ECOSS), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), o Museu está localizado na Av. Manoel José de Arruda, 2.000, em Cuiabá.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 99686-7701 ou pelo Instagram @museuhistorianaturalmt.

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