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Cidades Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026, 13:27 - A | A

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Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026, 13h:27 - A | A

VÍTIMA DA DEPRESSÃO

SUS autoriza psicólogo dois anos após mulher morrer à espera de atendimento em Cuiabá

A jornalista Janaiara Soares usou as redes sociais para denunciar a demora no atendimento à sua mãe Sidelia Paula da Silva, que morreu há dois anos devido a forte depressão

MARYELLE CAMPOS
Da redação

Reprodução

Mulher que cometeu suicídio há dois anos ganha vaga para psicólogo no SUS

A jornalista Janaiara Soares e também servidora da Defensoria Pública de Mato Grosso (DPMT) denunciou em suas redes sociais a demora para conseguir o atendimento psicológico à sua mãe, que faleceu em decorrência da depressão. Após dois anos da morte de Sidelia Paula da Silva, a Secretaria Municipal de Saúde enviou uma mensagem em julho informando que a consulta com o psicólogo, solicitada anos antes do suicídio, havia sido autorizada em Cuiabá.

"A depressão matou minha mãe, mas o Sistema Público de Saúde de Cuiabá também tem culpa. Amanhã fazem dois anos que a minha mãe cometeu o suicídio e, no mês passado, nós recebemos uma mensagem da Secretaria de Saúde dizendo que a consulta dela com o psicólogo foi autorizada, que ela vai poder passar por um psicólogo. Consulta essa que foi solicitada meses antes dela tirar a própria vida", contou a jornalista. 

Sidelia Paula tinha diagnóstico de depressão e esperava por atendimento pelo Sistema único de Saúde (SUS). Ela trabalhava com serviços gerais em uma empresa terceirizada e morreu aos 58 anos de idade em 2024. 

No vídeo publicado em seu perfil do Instagram, a jornalista relatou que a mãe havia se recusado a fazer o tratamento psicólogico de forma particular e aceitou somente pela rede pública. 

"Nós tentamos muito que ela fizesse o tratamento de forma particular, que seria mais rápido, mas ela se recusou por achar que depressão é uma coisa que é de gente doida, beber remédio é coisa de gente doida. E aceitou somente se ela conseguisse fazer pelo SUS", contou. 

A servidora ainda relembrou que a mãe chegou a fazer todo o procedimento para ser encaminhada ao psicólogo e revelou o sentimento de impotência e tristeza diante da necessidade e da demora no acesso aos serviços pelo sistema público. 

"Ela foi no postinho, ela passou por um clínico, ela pegou o encaminhamento, entrou na rede de regulação e ela conseguiu a consulta, dois anos depois dela ter tirado a própria vida. Mesmo sabendo que o tratamento não garantiria que ela não atentaria contra a própria vida, o sentimento é terrível, um sentimento de tristeza, um sentimento de impotência, um sentimento de sofrimento por saber que a gente está à mercê de um sistema de saúde que é lindo nas propagandas, mas que não funciona", desafabou. 

 

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