"O crescimento em valor foi sustentado pelo aumento dos preços médios, embora produtos como carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café também tenham registrado altas relevantes em quantidade", aponta a Câmara de Comércio norte-americana em nota.
A entidade destaca que o desempenho mensal já foi impactado pelas tarifas adicionais de 40% e 50%, impostas pelos EUA a partir de agosto do ano passado. Apesar do crescimento do valor dos embarques em igual mês deste ano, os produtos atualmente sujeitos às sobretaxas mais elevadas, de 25% a 37,5%, registraram queda de 10,5%, observa a Amcham.
No acumulado de janeiro a agosto, as vendas do Brasil com destino ao mercado norte-americano somaram US$ 24,1 bilhões, o que representa tombo de 9,7% frente a igual período de 2025.
"O comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral", afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Grandes setores
O Monitor da Amcham Brasil mostra que a retração das vendas brasileiras aos Estados Unidos no acumulado do ano alcança os três grandes setores da economia, em contraste com o desempenho das exportações brasileiras para os demais mercados.
De janeiro a agosto, as exportações da indústria de transformação aos EUA caíram 4,9%, enquanto as vendas do setor para o restante do mundo subiram 6,6%. Na indústria extrativa, as vendas ao mercado norte-americano recuaram 28,9%, enquanto avançaram 19,6% para os demais mercados. Por fim, na agropecuária, os embarques para os EUA caíram 26,7%, enquanto cresceram 9,5% para o restante do mundo.
Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, seis registraram queda, com destaque para petróleo bruto (-31,5%); semimanufaturados de ferro ou aço (-4,3%); ferro-gusa (-8,1%) e celulose (-1,9%).
(Com Agência Estado)
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