Quarta-Feira, 03 de Junho de 2020, 17h:00

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Médicos de VG ameaçam greve por falta de pagamentos; prefeitura nega atraso

Por: RAYNNA NICOLAS

O Sindicato dos Médicos do Estado de Mato Grosso (Sindimet-MT) divulgou, nessa quarta-feira (03), ter recebido denúncias de médicos que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) de Várzea Grande, cidade que atualmente é a líder em mortes por Covid-19, o novo coronavírus em Mato Grosso. Segundo o que foi relatado ao sindicato, os servidores municipais estariam sem receber o pagamento de plantões extras, além de verbas e auxílio. Com isso, uma assembleia geral foi marcada para a próxima segunda-feira (08) para discutir o indicativo de greve da categoria.

Reprodução

prefeitura vg

 

“Os médicos estão trabalhando exaustivamente e precisam receber como todo mundo tem contas para pagar. E caso a prefeitura não apresente uma solução a categoria não descarta discutir um indicativo de greve”, afirmou o médico e diretor de Comunicação do Sindimed-MT, Adeildo Lucena.

Na assembleia, que deve ser realizada às 19h na sede do sindicato, devem ser discutidas as condições de trabalho, o auxílio Covid, além de plantões-extras, adicional de insalubridade, horas-extras e verba indenizatória de janeiro que os profissionais alegam não ter recebido. Também será discutida a isonomia salarial entre as classes, a incorporação da verba indenizatória ao salário base e o déficit de leitos para internação.

Ao HNT/HiperNotícias, Adeildo afirmou que o problema é em relação aos box de emergências do Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande. Segundo ele, os médicos estão em uma situação insuportável e o que a categoria espera é que a prefeita do município, Lucimar Campos (DEM), responda positivamente às solicitações. 

"Nós temos um aumento considerável da demanda, temos a pandemia, então se pensarmos que tínhamos um número determinado de médicos para atender e agora continua o mesmo número, isso é um problema sério, porque cai a qualidade do serviço. Criaram uma ala para atendimento da Covid, mas não criou o serviço com novos profissionais, retirou da equipe que estava no box para atender lá. Além disso, esse médico tem que fazer visita aos pacientes internados e enquanto isso, a demanda só aumenta e isso gera um impacto muito grande na saúde mental do médico", afirmou o diretor. 

Além disso, Adeildo destacou que a complicação é ainda maior diante da falta de leitos, equipamentos e outros insumos necessários à atividade profissional. 

"Tudo isso vem deixando o médico do Pronto-Socorro de Várzea Grande em um estresse muito grande, além de que esse profissional fica extremamente exposto, podendo contrair a Covid-19 e ainda transmitir para seus familiares. Junto a isso a questão da falta dos pagamentos de horas extras, auxílio, tudo isso gera um grande estresse grande", destacou.

Segundo o médico, falar em greve em plena pandemia é uma situação muito constrangedora para os médicos e que a prefeitura de Várzea Grande anda no sentido contrário ao investimento em recursos humanos, que estão escassos no município no momento. 

"É extremamente constrangedor falar em greve em uma pandemia, a gente se sente mal, mas fico pensando como deve sentir o gestor vendo os médicos chegarem a esse ponto de estresse? O que passa na cabeça do gestor que, recebendo dinheiro a mais do governo federal, está aplicando onde? É preciso pensar nos recursos humanos que são escassos e investir nisso nesse momento. A prefeitura de Várzea Grande anda no sentido contrário a toda essa ideia", concluiu. 

Procurada pela reportagem, a prefeitura informou, através do Secretário de Comunicação, Pedro Marcos Campos Lemos, que a Secretaria Municipal de Saúde e o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus estão reunidos para debater a questão, uma vez que ficaram sabendo das demandas pela imprensa. Em relação às pautas, a prefeitura admitiu o déficit de leitos, mas rebateu as alegações de falta de pagamento. 

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