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Cidades Quinta-feira, 13 de Agosto de 2026, 17:01 - A | A

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EM INTERCÂMBIO

Lideranças da Bolívia conhecem produção agropecuária de Mato Grosso

Comitiva visitou fazendas e indústrias para conhecer tecnologias aplicadas em agricultura, pecuária, algodão, bioenergia e agroindústria

DA REDAÇÃO

REPRODUÇÃO

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Representantes do setor produtivo, entidades e do poder público da Bolívia participaram, nos dias 11 e 12 de agosto, de uma agenda de intercâmbio em Mato Grosso voltada à troca de experiências sobre produção agropecuária, tecnologia e gestão. A comitiva visitou propriedades rurais e unidades industriais em diferentes regiões do estado para conhecer modelos que podem ser adaptados à realidade boliviana.

A programação foi organizada pelo Comitê de Integração Brasil–Bolívia e incluiu atividades relacionadas à agricultura, pecuária, produção de algodão, bioenergia, agroindústria, confinamento e gestão.

Para o presidente de honra do comitê, Eraí Maggi Scheffer, a experiência acumulada por Mato Grosso pode contribuir para que produtores bolivianos tenham acesso a tecnologias já testadas e reduzam o tempo necessário para aperfeiçoar os sistemas de produção.

“Nós levamos cerca de 30 anos para desenvolver Mato Grosso até chegar ao nível de produção que temos hoje. Nesse período, erramos, acertamos, testamos tecnologias e encontramos as soluções que melhor se adaptaram às nossas condições”, afirmou.

Segundo Scheffer, o compartilhamento dessas experiências pode acelerar a adoção de novas técnicas na Bolívia. “Hoje podemos compartilhar o conhecimento e as técnicas que já funcionam aqui para que eles avancem muito mais rápido”, acrescentou.

Visitas a fazendas e indústrias

No primeiro dia da programação, os representantes bolivianos visitaram a Fazenda Fartura e a Fazenda Filadélfia, em Campo Verde. Durante o deslocamento para Primavera do Leste, acompanharam uma operação de colheita de algodão.

A comitiva também esteve na FS Biofuels, onde conheceu o processo industrial de produção de bioetanol de milho. A agenda terminou em Cuiabá, com um jantar institucional.

No segundo dia, o grupo seguiu para a região médio-norte de Mato Grosso. A programação incluiu passagem pelo distrito industrial e visitas às fazendas Agromar, em São José do Rio Claro, e Colorado, em Diamantino.

Nas propriedades, os visitantes conheceram o sistema Compost Barn utilizado no confinamento de gado de corte, além de práticas de manejo e modelos de integração produtiva.

O presidente da Câmara Agropecuária do Oriente (CAO), Klaus Frerking, destacou as características semelhantes entre Mato Grosso e Santa Cruz, principal região agropecuária da Bolívia.

“Santa Cruz e Mato Grosso têm na agropecuária e no agronegócio uma vocação em comum. Estamos conhecendo tecnologias em diferentes áreas, como soja, algodão, milho e produção de carne, e queremos levar esse conhecimento para a Bolívia”, afirmou.

Segundo Frerking, a aproximação também pode ampliar o contato direto entre produtores dos dois territórios. A Câmara Agropecuária do Oriente reúne, conforme informado por ele, cerca de 70 mil produtores e 100 mil unidades produtivas em Santa Cruz.

Tecnologia e produção

O presidente da Associação Boliviana dos Criadores de Zebu, Marcelo Muñoz, avaliou que o contato com tecnologias já utilizadas em Mato Grosso pode facilitar a adoção de novas técnicas pelos produtores bolivianos.

“Para muitos de nós é a primeira vez em Mato Grosso e ficamos fascinados com todo o trabalho que vem sendo realizado. Esperamos levar esse aprendizado para a Bolívia e implementar tecnologias que já demonstraram bons resultados aqui”, disse.

Muñoz também defendeu uma aproximação maior entre os setores produtivos dos dois lados da fronteira.

“Durante muito tempo, Bolívia e Mato Grosso estiveram cada um olhando para um lado. Agora existe esse movimento de olhar para quem está ao nosso lado e perceber que podemos colaborar”, afirmou.

Produção e sustentabilidade

A senadora boliviana Natalia Miserendino destacou a necessidade de aproximar o setor produtivo e o poder público para reduzir entraves burocráticos e facilitar a incorporação de tecnologias.

“Uma das importâncias de construir esses vínculos entre o setor produtivo e a política é justamente permitir que trabalhem de mãos dadas e que as burocracias sejam reduzidas para que o país possa crescer”, afirmou.

Durante a visita à Fazenda Agromar, a senadora também observou práticas relacionadas ao confinamento, manejo e preservação ambiental.

Segundo Natalia, a intenção é avaliar experiências que possam ser adaptadas à realidade boliviana, conciliando produção e conservação dos recursos naturais.

A agenda de intercâmbio também abordou temas como agricultura em larga escala, gestão, algodão, pecuária, confinamento, produção de bioetanol de milho, biodiesel, logística, infraestrutura e agregação de valor.

A iniciativa faz parte das ações do Comitê de Integração Brasil–Bolívia para aproximar representantes dos setores público e privado e ampliar as possibilidades de cooperação entre Mato Grosso e a Bolívia.

Fonte das informações: Assessoria de imprensa do Comitê de Integração Brasil–Bolívia.

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