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Política Quinta-feira, 13 de Agosto de 2026, 10:46 - A | A

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IMPASSE NO PL

Medeiros propõe veto a operações no período eleitoral e WF detona: “absurdo”

Iniciativa do candidato ao Senado surge em reação à Operação Heritage, que atingiu Mauro Mendes e Fábio Garcia; Wellington Fagundes diverge e rejeita salvo-conduto em período eleitoral

BIANCA MORTELARO
Da redação

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O deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) anunciou que pretende apresentar um projeto de lei para proibir a realização de operações policiais contra candidatos nos seis meses que antecedem o pleito eleitoral. Em contrapartida, a iniciativa foi criticada pelo senador e candidato ao Governo, Wellington Fagundes (PL), que defende a continuidade das investigações independentemente do calendário oficial.

A proposta surge como uma reação direta à Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal, que atingiu figuras centrais da política mato-grossense, como o ex-governador Mauro Mendes (UB) e o deputado federal Fábio Garcia (UB), ambos candidatos no atual processo.

“Eu tenho um projeto para que, no ano eleitoral, as operações têm que ser feitas até seis meses antes contra o cara que é candidato, ou só depois da eleição. Porque isso se torna um problema, não é só a questão do cara em si que está envolvido em qualquer investigação. Isso acaba refletindo em todas as outras candidaturas daquela coligação”, afirmou Medeiros em coletiva de imprensa durante visita a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Brasília.

LEIA MAIS: Investigação envolvendo Mauro Mendes e Fábio Garcia é destaque no Jornal Nacional

Para Medeiros, ações judiciais de grande impacto próximo ao registro de candidaturas podem ser utilizadas como ferramentas de perseguição política, prejudicando não apenas o alvo direto, mas todo o arco de alianças.

“Ninguém vai morrer se uma operação deixar de ser feita seis meses antes do período eleitoral. Eu penso que teve todo o tempo do mundo e tem todo o tempo do mundo para se fazer todas as operações possíveis antes do período eleitoral. Em que pese ser meu adversário, é uma operação no dia do registro das candidaturas, é muita coincidência para ser só coincidência, né?”, questionou o deputado, referindo-se ao timing da operação que investiga um suposto desvio de R$ 318 milhões.

No entanto, Wellington Fagundes adotou uma postura de distanciamento da proposta do correligionário, enfatizando que o combate à corrupção não deve sofrer interrupções. O parlamentar rebateu a ideia de que o período eleitoral serviria como um salvo-conduto para investigados.

“Não venham dizer que isso é denúncia apenas eleitoreira, porque isso foi feito lá atrás, e nós nunca acusamos, nós só pedimos as investigações. Eu quero aqui dar uma satisfação à população do meu Estado, para não vir alguém amanhã dizer que é inoportuna fazer uma investigação em período eleitoral, como que se alguém roubar durante a campanha não pode ser investigado. Isso é um absurdo. Que me desculpem quem tem a ousadia de fazer uma afirmação como essa”, disparou Fagundes, durante fala em plenário no Senado Federal, nesta quarta-feira (12).

A Operação Heritage, que motivou o debate, resultou no bloqueio de bens, retenção de passaportes e proibição de contato entre 31 investigados por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos estão o ex-goverandor Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia, sob a suspeita de que recursos públicos tenham sido pulverizados em fundos de investimento para ocultar sua origem ilícita. O impacto foi imediato, levando Fábio Garcia a recuar de sua candidatura a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos) para tentar a reeleição na Câmara Federal.

Enquanto uma ala classifica a operação como “inoportuna” por interferir na composição das chapas, o grupo liderado por Fagundes reforça o discurso de que o caso deve ser apurado no momento em que os indícios se consolidam.

Por outro lado, a defesa dos investigados nega qualquer irregularidade e atribui o caso à “velha política” e a manobras de adversários para forçar o desgaste eleitoral do grupo.

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