O grafiteiro Babuseteoito disse ao HNT TV Entrevista que sofreu o primeiro episódio de racismo aos 10 anos. Babu lembra que um vizinho com quem costuma brincar nas ruas do CPA, em Cuiabá, foi proibido de ter contato com ele quando a mãe descobriu que o 'amiguinho' era negro e filho de 'macumbeira'. A situação feriu Babu, mas por ser apenas uma criança, não tinha a compreensão exata que havia sofrido racismo. Foi em casa ao compartilhar a situação para a mãe que entendeu a dimensão do acontecimento.
"Isso foi muito marcante para mim, sabe? Você não poder mais brincar, um amiguinho tem que falar um 'bagulho' desse para você, tadinho. Ele não fazia ideia do que estava acontecendo, tanto ele quanto eu", desabafou.
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A mãe de Babu não criou os filhos em uma bolha. Depois desse episódio, ela passou a ser mais intencional nas conversas com o grafiteiro e os demais filhos - todos adotados, fato que, para Babu contribuiu com sua formação racial.
"A gente sempre teve essa condição racial muito bem esclarecida porque a gente não tinha o mesmo sangue. A irmã era branca, o outro irmão era índio e tem um que é loiro do olho azul", falou.
Os ensinamentos da mãe aos filhos não ficou restrito ao respeito nas relações, mas ela se aprofundou, incentivando os filhos a ler, conhecer a ancestralidade religiosa e cultural.
"Lá em casa, todos os meus irmãos leram Jorge Amado e fizeram capoeira. A pauta sobre ser negro era uma coisa lá em casa que era amplamente discutida, essa condição racial", concluiu Babu.
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